Lados em conflito na Síria mataram milhares de detidos e de reféns

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Novo relatório da Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria é baseado em mais de 600 entrevistas; civis sírios foram detidos de forma arbitrária ou sequestrados pelo governo e por grupos anti-governo e terroristas; pessoas apanharam até a morte ou morreram devido a ferimentos.

Refugiados sírios fugindo de combates perto da cidade de Kobani. Foto: Acnur/I. Prickett

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

A Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria revela que nos últimos quatro anos e meio, milhares de pessoas detidas foram assassinadas enquanto estavam sob custódia dos lados em conflito no país.

O grupo divulgou nesta segunda-feira um relatório baseado em 621 entrevistas e documentos, avaliando assassinatos de detidos cometidos por forças do governo, da oposição e por terroristas.

Desaparecimentos

O relatório avalia casos entre 10 de março de 2011 e 30 de novembro de 2015. A Comissão detalha como civis sírios foram presos de forma arbitrária ou sequestrados.

Evidências apontam para dezenas de milhares de sírios que foram detidos pelo governo a qualquer momento. Outras milhares de pessoas desapareceram após serem presas for forças do Estado.

Tortura

Em Genebra, o presidente do grupo, Paulo Sérgio Pinheiro, explicou à Rádio ONU que os sobreviventes sofreram "abusos inimagináveis".

"Essas pessoas entrevistadas são ou parentes ou ex-prisioneiros, alguns felizmente sobreviveram e contaram o tratamento que é dado aos prisioneiros, a dificuldade de acesso a medicamentos, a péssima alimentação e a tortura, que é o mais grave. Muitos morreram, tanto (presos) do governo quanto dos grupos rebeldes, morreram por tortura, agressões feitas contra eles, estando eles detidos."

A Comissão de Inquérito da ONU destaca que as mortes ocorreram com muita frequência, em várias localidades controladas pelo governo sírio. Os reféns ou detidos foram mantidos em condições precárias de forma intencional.
Crimes de Guerra

Paulo Sérgio Pinheiro revela que são casos de crimes contra a humanidade, mas que grupos da oposição e entidades terroristas como o Isil também cometeram "atos brutais".

"Isso é importante. Na verdade, claro que o governo tem um nível de institucionalização capaz de cometer essas violações. Mas nós também apontamos os dois grupos terroristas (Isil e Al-Nusra) e alguns outros grupos rebeldes perpetrando crimes de guerra no que diz respeito ao tratamento de prisioneiros que eles detêm."

O relatório cita também estupros ou outras formas de violência cometidas pelo governo, tortura, desaparecimentos forçados e outros atos desumanos. São casos de "violações cometidas pelo governo que constitutem crimes de guerra".

Impunidade

No caso dos grupos armados anti-governos, tanto soldados como civis foram vítimas. Tanto o grupo terrorista Al-Nusra quanto forças da oposição cometeram os seguintes crimes de guerra: assassinatos, tratamento cruel e tortura.

Por meio do relatório, a Comissão espera que sejam ampliados os esforços para levar justiça aos sírios, uma vez que tais violações vem sendo cometidas com total impunidade.

O grupo recomenda ao Conselho de Segurança que adote sanções contra pessoas, agências ou grupos suspeitos de serem responsáveis por mortes, tortura e desaparecimentos forçados.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 14 DE DEZEMBRO DE 2017
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