Impunidade na Líbia contribui para abusos sexuais e assassinatos

Ouvir /

Relatório da ONU revela que todos os lados em conflito são responsáveis por violações que podem ser consideradas crimes de guerra; mulheres são alvo de abusos para "mostrar que não devem ter voz na esfera pública".

Mulher em Trípoli, na Líbia. Foto: ONU/Iason Foounten (arquivo)

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

As Nações Unidas afirmaram esta quinta-feira que as violações generalizadas de direitos humanos na Líbia podem ser consideradas crimes de guerra. Um relatório lançado pelo Escritório de Direitos Humanos cita a "piora dramática" da situação dos líbios e traz detalhes de abusos cometidos desde o início de 2014.

Segundo o alto comissário Zeid Al Hussein, integrantes de todos os lados do conflito, estatais ou não, são acusados de sérias violações, como execuções de pessoas mantidas em cativeiro.

Tortura

O relatório cita ataques indiscriminados em áreas residenciais, como em Trípoli e Bengazi, e tortura e tratamento desumano, especialmente em centros de detenção. Presos teriam sido torturados com cabos elétricos, teriam levado choques e há casos de pessoas que ficaram sem comida ou água.

Em 2011 foi iniciado o conflito armado na Líbia e desde então, milhares de pessoas continuam detidas, a maioria sem ter tido seus casos avaliados pela justiça. O relatório destaca também casos de desaparecimentos forçados, cometidos por forças do Estado e por grupos armados.

Mulheres

A violência contra as mulheres continua sendo uma realidade, já que várias ativistas líbias foram assasinadas nos últimos dois anos. Segundo o Escritório de Direitos Humanos, essas ações parecem ter um objetivo mais amplo: "enviar a mensagem de que as mulheres não podem ter voz na esfera pública".

Uma mulher revelou ter sido raptada em Trípoli por integrantes de um grupo armado. Ela foi drogada e estuprada durante seis meses e afirmou que meninas também foram sujeitas à violação sexual, sendo que entre as vítimas estavam garotas de apenas 11 anos.

Recrutamento de Crianças

Defensores de direitos humanos e jornalistas também têm sido alvo de violações. Muitos foram assassinados, sequestrados ou sofreram ameaças. Os migrantes na Líbia sofrem exploração das autoridades e dos traficantes de pessoas, especialmente os civis da África Subsaariana.

Também foram reportados casos de recrutamento de crianças por grupos ligados ao Isil, que foram forçadas ao treinamento militar e religioso e algumas sofreram abusos sexuais.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos declarou que outro fato que chama a atenção no relatório é a "completa impunidade que continua prevalecendo na Líbia".

Recomendações

Zeid Al Hussein explica que o sistema judiciário não consegue garantir justiça no país, uma vez que muitos juízes e promotores também foram assassinados ou raptados. Apesar dos desafios, o relatório recomenda ação urgente para que grupos armados parem de atuar na Líbia e para que ocorra o desarmamento no país.

Outra recomendação é para que a comunidade internacional garanta que o Tribunal Penal Internacional, TPI, tenha os recursos necessários para investigar e julgar as violações citadas no relatório.

Recentemente, a revolução na Líbia que levou à queda do regime de Muammar Khadafi completou cinco anos.

Leia Mais:

ONU alerta sobre severidade da crise humanitária na Líbia

Cinco anos após revolução, ONU saúda líbios por sacrifícios em prol da paz

Enviado da ONU para Líbia destaca formação de governo de unidade 

Compartilhe

JORNAL DA ONU - 5 MIN, 13 DE DEZEMBRO DE 2017
JORNAL DA ONU - 5 MIN, 13 DE DEZEMBRO DE 2017
Loading the player ...

SIGA A RÁDIO ONU NAS REDES SOCIAIS

 

dezembro 2017
S T Q Q S S D
« nov    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031