"É preciso um novo Plano Marshall" para milhões de crianças sírias

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Declaração é do enviado especial da ONU para Educação Global, Gordon Brown; na conferência de doadores para Síria, nesta quinta-feira, em Londres, ex-primeiro ministro britânico afirmou ainda que "mais do que migração, a educação é o real passaporte para o futuro".

Gordon Brown. Foto: ONU/Amanda Voisard

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

O enviado especial das Nações Unidas para Educação Global declarou que os líderes mundiais precisam urgentemente de um "Plano Marshall" 2016 para interromper a pior crise de refugiados do mundo desde a 2ª Guerra Mundial.

Na conferência de doadores para Síria, nesta quinta-feira, em Londres, Gordon Brown afirmou que apenas "uma estratégia tão ambiciosa como a resposta de quase 70 anos atrás pode prevenir mais caos e o surgimento de uma geração perdida e marginalizada de jovens".

Plano Marshall

O ex-primeiro-ministro britânico lembrou que o plano "nasceu do caos" das crises e movimentos de refugiados pós-1945 para "financiar reconstrução econômica e social".

A iniciativa recebeu o nome do secretário de Estado americano George Marshall.

Crianças

Brown afirmou que o mundo precisa estar à altura do desafio de um mundo onde "30 milhões de crianças estão desalojadas, 10 milhões delas exiladas em outros países".

Ele alertou que em alguns acampamentos de refugiados nas fronteiras da Síria, os índices de casamento infantil dobraram. Em outros, um terço dos meninos e meninas estão agora trabalhando ilegalmente.

A maioria, segundo o enviado especial, não está recebendo educação básica e está perdendo suas esperanças para o futuro.

Travessias pelo Mar

Para Gordon Brown, o "desafio humanitário sírio não é mais de curto prazo nem só sobre comida e abrigo"; é preciso atender às necessidades das famílias de 12 milhões de deslocados ainda na região.

Ele afirmou que sem escolas para seus filhos na Turquia, Líbano e Jordânia, "pais vão optar por travessias perigosas à Europa pelo mar em busca de um futuro melhor".

Escolas

O ex-primeiro-ministro britânico explicou que seu plano é "educar um milhão de crianças refugiadas sírias este ano e, até o ano que vem, garantir que todas tenham um lugar na escola".

No entanto, ele afirmou que isto está em risco por conta de financiamento inadequado, mesmo que o custo médio por criança seja de apenas US$ 500 anuais.

Moderno

De acordo com Gordon Brown, "um Plano Marshall moderno significaria educação, assim como comida, abrigo e cuidados de saúde para todos os refugiados".

A iniciativa teria também "zonas econômicas para abordar o desemprego e a criação do primeiro fundo humanitário permanente envolvendo os setores público e privado e o voluntariado no financiamento da educação em emergências".

Passaporte para a Futuro

Segundo o enviado especial, "se as famílias tiverem escolas para seus meninos e meninas, isto vai desacelerar o êxodo para a Europa e reduzir as viagens mortais".

Ele afirmou ainda que a educação vai evitar a exploração dos menores em trabalho infantil, casamento precoce e tráfico de crianças.

Para Gordon Brown, "mais do que a migração, a educação é o real passaporte para o futuro".

Desenvolvimento

Já a chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, Helen Clark, defendeu que "junto com a enorme ação de ajuda humanitária é preciso aumentar o investimento na construção da resiliência das pessoas e das comunidades dentro da Síria e nos países vizinhos que abrigam muitos refugiados".

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 8 DE DEZEMBRO DE 2017
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