Chefe de Direitos Humanos fala de abusos em conflitos africanos

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Efeitos prolongados de confrontos e emergências foram marcas do discurso de Zeid Al Hussein no Conselho de Direitos Humanos; representante quer uma investigação total, transparente e independente sobre ataques aos civis.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, em discurso nesta segunda-feira; Foto: ONU/Pierre Albouy

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Vários conflitos e emergências em África mereceram destaque esta segunda-feira no pronunciamento do alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, pelas “violações de normas que protegem os direitos e a vida das vítimas”.

Ao discursar na 31ª sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, Zeid Al Hussein citou casos como Burundi, leste da República Democrática do Congo, países da Bacia do Lago Chade, Líbia, Mali, Somália, Sudão do Sul e Sudão.

Emergências

O responsável declarou que os efeitos prolongados desses conflitos e emergências serão sofridos durante gerações e frisou que, ainda assim, estes continuam a chocar.

Para o representante, sejam atos resultado de ataques deliberados ou de incompetência sistémica, “cada ação contra civis e alvos não militares deve ter uma investigação total, transparente e independente”.

A Líbia e o Sudão foram mencionados pelo chefe dos Direitos Humanos devido aos ataques a hospitais, escolas e locais de culto, juntamente com o Afeganistão, o Iraque e o Iémen.

Novas Violações

Zeid disse que sobreviventes, particularmente os mais vulneráveis, são forçados a fugir e ficam expostos a novas violações. Ele mencionou ainda os Territórios Palestinos Ocupados, a Ucrânia e o Iémen.

Para o alto comissário, os resultados desses confrontos são economias quebradas, sistemas de saúde e infraestruturas destruídos e crianças que ficam com fome, sem escolaridade e muitas sofrem múltiplas formas de violência.

O maior destaque do discurso do responsável foi o conflito na Síria. Zeid  revelou que atores estatais e não estatais cometem abusos com completa impunidade. Cerca de 450 mil pessoas estão sitiadas no país.

Crimes Repugnantes

O caso da Síria, do Iraque e de outros conflitos levaram ao que Zeid considera “mistura tóxica de forças malévolas”, que incluem a prática de crimes repugnantes, atrocidades e o surgimento de gangues de tráfico humano.

Para ele, tais circunstâncias estariam por detrás de “migrantes cada vez mais em fuga”. Zeid considera terrível o trauma por eles sofrido e reiterou que merecem simpatia e compaixão da comunidade internacional.

Ele disse que continuar a construir muros mais altos contra a fuga desses desesperados é “um ato de crueldade e uma ilusão”.

*Apresentação: Michelle Alves de Lima.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
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