Cenário pós-eleitoral no Uganda gera preocupação na ONU

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Escritório de Direitos Humanos declara-se apreensivo com envio de polícias e militares para as ruas; fatores que causam preocupação incluem detenção de líderes da oposição e intimidação de jornalistas nas eleições presidenciais.

Conselho de Direitos Humanos da ONU. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O Escritório dos Direitos Humanos da ONU expressou preocupação com a situação pós-eleitoral tensa no Uganda. Agências de notícias informaram que a corrida presidencial vencida por Yoweri Musseveni é contestada pela oposição.

Até esta terça-feira, pelo menos duas pessoas morreram e um número desconhecido de pessoas ficaram feridas num cenário marcado pelo envio de um “importante dispositivo de forças militares e policiais para as ruas de Kampala”.

Líderes da Oposição

A entidade da ONU cita ainda a prisão de quatro líderes da oposição desde as eleições de quinta-feira. A nota, emitida em Genebra, cita ainda a detenção do líder do Fórum para a Mudança Democrática, FDC, Kizza Besigye.

Com 35% dos votos, o principal candidato da oposição ficou posicionado a seguir a Musseveni, que ganhou o pleito com 61% dos votos.

De acordo com o escritório, Besigye foi preso e libertado em três diferentes ocasiões na semana passada antes de ser posto em prisão domiciliária no sábado, sem acusação ou ordem judicial.

Na segunda-feira, Besigye foi levado a uma esquadra da polícia em Nagalaama, área situada a cerca de 30 quilómetros da capital Kampala, após ter tentado sair de casa.

Candidatos

Outros dois candidatos presidenciais alegadamente presos nos últimos dias: o líder do Partido Go Forward, Amama Mbabazi, em prisão domiciliária desde sábado, e o presidente do Partido de Desenvolvimento do Povo, PDP, Abed Bwanika.

Ele teria sido intercetado pela polícia na sexta-feira em Mutukula, perto da fronteira com a Tanzânia, quando tentava sair do país com a família.

Polícia e Militares

Um outro elemento da oposição ugandesa detido foi Erias Lukwago, quando tentava prestar declarações à imprensa, no sábado, sobre a prisão de Besigye.

O outro motivo que deixa o escritório apreensivo é a “demonstração de força intimidatória pela polícia e as forças militares do Uganda” na sexta-feira para evacuar a sede do FDC, em Kampala.

Perseguição

Na ocasião foi usado gás lacrimogéneo e há suspeitas de utilização de munição real. Há também preocupação com relatos de perseguição e intimidação de jornalistas pelas forças de segurança.

Ao Governo do Uganda, a entidade da ONU lembrou as suas obrigações sob o direito internacional dos direitos humanos de não restringir a liberdade de expressão e de reunião pacífica de forma indevida.

Aos agentes da lei, a recomendação é que evitem o “uso da força ou caso isso não seja possível, restringi-la ao mínimo necessário”. Qualquer preso deve ser informado das razões bem como de quaisquer acusações contra si, conclui a nota.

*Apresentação: Michelle Alves de Lima.

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Receios de violência após anúncio do resultado das presidenciais no Uganda 

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
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