Angola tem segundo maior custo para vítimas do El Niño em África

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Unicef revelou necessidades para as regiões Oriental e Austral do continente; país precisa de US$ 26 milhões para ações humanitárias; 1,4 milhões de pessoas sofrem com condições climáticas extremas; 800 mil angolanos enfrentam insegurança alimentar.

Aumento dos preços alimentares leva famílias a tomar “medidas drásticas”. Foto: Curt Carnemark / Banco Mundial

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque. 

Angola é o segundo país com maior necessidade de financiamentos para mitigar os impactos do fenómeno El Niño na África Oriental e Austral.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, anunciou esta quarta-feira que precisa de cerca de US$ 26 milhões para ações humanitárias na nação lusófona. O valor das necessidades segue-se aos US$ 87 milhões da Etiópia.

Províncias do Sul

Estima-se que 1,4 milhões de angolanos estejam afetados por condições climáticas extremas e outros 800 mil enfrentem insegurança alimentar. O problema ocorre principalmente nas províncias semiáridas do sul de Angola.

O Unicef afirmou que nas duas sub-regiões africanas afetadas quase 1 milhão de crianças precisam de tratamento para a desnutrição aguda grave.

Risco de Fome

A agência destaca que a vida dos menores mais vulneráveis sofre o impacto de dois anos de chuvas irregulares e secas associadas ao El Niño, que é considerado um dos mais fortes em 50 anos.

O drama de milhões de crianças em risco de fome, escassez de água e doenças piora com o aumento dos preços alimentares que leva as famílias a tomar “medidas drásticas” para enfrentar à situação, como saltar refeições ou vender bens.

Situação Precária

A diretora regional do Unicef para a África Oriental e Austral disse que a intensidade do El Niño vai baixar, mas o custo para crianças, que em grande parte já viviam em situação precária, continuará por muitos anos.

Leila Gharagozloo-Pakkala afirmou que governos estão a responder a situação com os recursos disponíveis, mas lembrou que esta não tem precedentes e “a sobrevivência infantil depende das medidas tomadas hoje”.

Países como Lesoto, Zimbabué e a maioria das províncias da África do Sul declararam o estado de desastre devido à crescente falta de recursos. Na Etiópia, espera-se que o número de necessitados de ajuda alimentar suba dos mais de 10 milhões atuais para 18 milhões até o fim do ano.

Crianças

O Unicef refere que os apelos humanitários tiveram menos de 15% do custo necessário para os países que sofrem o impacto do El Niño na África Austral.

A agência destaca 6 milhões de menores etíopes que precisam de ajuda alimentar no seu mais recente informe sobre o impacto do fenómeno climático sobre as crianças da região.

As duas estações de chuvas falharam na Etiópia, onde também aumentam as faltas à escola à medida que as crianças são forçadas a caminhar distâncias maiores para ter acesso à água.

Deslocados

Cerca de US$ 15 milhões são necessários na Somália, onde mais de dois terços dos necessitados de assistência urgente são deslocados.

No Quénia, chuvas fortes e inundações relacionadas ao El Niño agravam surtos de cólera.

No Lesoto, um quarto da população é afetada pelo fenómeno, enquanto no Zimbabué cerca de 2,8 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar e nutricional.

Dois Anos

Já o Malaui está a braços com a pior crise alimentar em nove anos, com 2,8 milhões de pessoas em risco de fome. O número equivale a mais de 15% da população.

O Escritório da ONU para os Assuntos Humanitários, Ocha, prevê que em cerca de dois anos as comunidades afetadas se recuperem da seca agravada pelo El Niño se as condições agrícolas melhorarem no segundo semestre deste ano.

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