Secretário-geral comemora fim da cadeia de transmissão do ebola

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Surto está oficialmente encerrado na África Ocidental; Ban Ki-moon elogia autoridades da Guiné, Libéria e Serra Leoa pelo engajamento na luta contra o vírus; OMS confirma que nenhum caso foi registrado desde novembro.

Menino na Guiné que perdeu familiares para o ebola. Foto: ONU/Martine Perret

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

A Organização Mundial da Saúde, OMS, anunciou esta quinta-feira que a África Ocidental está sem nenhum caso de ebola pela primeira vez desde o início da epidemia, há dois anos.

O marco foi alcançado após a Libéria declarar estar livre das transmissões de ebola. O país cumpriu o prazo de 42 dias sem registrar novos casos e segue em vigilância reforçada pelos próximos três meses.

Luta

O anúncio foi celebrado pelo secretário-geral da ONU, que destacou que todas as cadeias de transmissão do ebola na África Ocidental foram encerradas e nenhum caso foi relatado desde o final de novembro.

Ban Ki-moon elogia as autoridades nacionais da Guiné, Libéria e Serra Leoa por "sua liderança e determinação" na luta contra o vírus. O chefe da ONU também agradeceu aos parceiros regionais e internacionais pelo apoio na resposta ao surto.

Riscos

Mas Ban destaca que é necessário manter a vigilância intensiva para detectar qualquer outro caso que possa surgir. A OMS também alerta ainda haver a possibilidade de novos surtos. A diretora para Doenças Transmissíveis do Escritório da OMS para África, Magda Robalo, explicou os detalhes à Rádio ONU. 

“Nós sabemos que pode-se ter mais uma epidemia de ebola ou de uma outra doença, mas a mensagem é que não podemos ser surpreendidos e estar com uma preparação deficiente. Devemos continuar trabalhando para que a luta contra as epidemias e as ameaças à saúde pública nos países possa ter um tratamento célere, imediato e que não se verifique a situação que vivemos nos últimos dois anos na África Ocidental, em especial na Libéria, Guiné e Serra Leoa.”

Casos e Mortes

A Organização Mundial da Saúde adverte que os três países continuam com alto risco de pequenos surtos. A Serra Leoa foi declarada livre da transmissão de ebola no dia 7 de novembro de 2015 e em 29 de dezembro a Guiné alcançou o marco.

Em quase dois anos, o vírus infectou mais de 28,5 mil pessoas, sendo que 11,3 mil morreram. A diretora-geral da OMS considerou uma "conquista monumental" o fato de se ter quebrado toda a cadeia de transmissão.

Margaret Chan  elogiou autoridades nacionais, trabalhadores da saúde, sociedade civil, organizações locais e internacionais e parceiros. Mas a chefe da agência lembrou que o trabalho não está completo e que é preciso vigilância para prevenir novos surtos.

Período Crítico

As evidências mostram que o vírus desaparece de forma relativamente rápida nos sobreviventes, mas pode continuar no sêmen de um pequeno número de homens sobreviventes por até um ano. Em casos raros, o ebola pode ser transmitido a parceiros íntimos.

O representante especial da OMS para a Resposta ao Ebola afirmou que o mundo entra em um período crítico, sendo que o foco agora é a gestão do risco de novas infeções.

Crianças

Bruce Aylward disse que esse risco diminui à medida que o vírus desaparece gradualmente na população sobrevivente, mas deve haver preparação para possíveis focos. Prevenção e vigilância são as prioridades em Guiné, Libéria e Serra Leoa.

Cerca de 23 mil crianças perderam um ou ambos os pais, vítimas do ebola, de acordo com o Fundo da ONU para a Infância, Unicef. As crianças também representam mais de um entre quatro casos fatais: entre mais de 4,7 mil menores com ebola, mais de 3,5 mil morreram.

 

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