ONU descreve "situação desafiante" ao nível da segurança da Somália

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Representante do secretário-geral pede mais policiamento e Estado de direito aliado aos esforços militares; chefe da missão da União Africana disse que al-Shabaab intensificou guerrilha e uso de explosivos.

Tropas do exército somaliano e da Missão da União Africana na Somália em comboio a caminho tde Barawe, bastião do grupo Al-Shabaab. Foto: Amisom/Tobin Jones

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*  

O Conselho de Segurança debateu esta quinta-feira a situação na Somália. O novo representante do secretário-geral no país discursou na sessão e chamou a atenção para a situação que “continua desafiante” ao nível da segurança.

Michael Keating disse que esforços militares e de combate ao terrorismo devem ser acompanhados por um forte policiamento e Estado de direito no país do Corno de África.

Transição

Falando via videoconferência, o enviado defendeu que a prioridade é reforçar capacidades de instituições federais e regionais dentro da Somália, como base de um plano de transição mais longo do Escritório da ONU no país, Unsom.

Já o representante da Missão da União Africana na Somália, Amisom, destacou o uso de mais técnicas de guerrilha e de engenhos explosivos improvisados pelas milícias al-Shabaab.

Francisco Madeira falou do aumento de ataques às bases da missão. Há duas semanas vários militares quenianos foram mortos na área de Ado, em Geddo, no sul do país.

Ameaça

Madeira disse que esse incidente e outros ocorridos em outras bases das forças de paz africanas ilustram a contínua ameaça na luta contra o al-Shabaab mas que as tropas de paz mantêm a tenacidade no combate.

O chefe da Amisom falou de ganhos de segurança na sequência de uma série de ofensivas militares coordenadas com o exército somali, agora na terceira fase, com fim previsto para março.

O objetivo é degradar de forma significativa e a capacidade das milícias no terreno e permitir o avanço do processo político, declarou Madeira.

Novo Modelo

Os dois enviados elogiaram o consenso alcançado no país sobre o modelo eleitoral. O governo e líderes de regiões discutem a execução do plano que prevê 275 membros da Câmara Baixa e 54 da Câmara Alta. Haverá lugares adicionais para regiões autónomas como a Puntlândia

O país tem cerca de 4,9 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária, o que corresponde a 40% da população. Pelo menos 1,1 milhão de somalis vivem como deslocados e 2,4 milhões de crianças sofrem de malnutrição.

Missões Conjuntas

Madeira pediu um reforço das forças do governo somali para que sejam realizadas missões conjuntas. Ele pediu apoio para um exercito que deve ser inclusivo e que a comunidade internacional coordene melhor o sua assistência.

O chefe da Amisom pediu o Conselho de Segurança que aumente o auxílio financeiro às forças de paz, após ter revelado graves preocupações com o corte de 20% de subsídios para militares na Somália anunciado pela União Europeia.

*Apresentação: Laura Gelbert.

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