Ocha pede ação imediata para mitigar impactos do El Niño

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Para o subsecretário-geral da ONU agir agora iria "salvar vidas e meios de subsistência e evitar uma emergência humanitária ainda mais grave"; milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar por consequência do fenômeno climático.

Mãe e filha saem da cidade de Laur, nas Filipinas, que foi afetada pelo tufão Koppu, em 2015. O atual El Niño deve ser um dos mais fortes desde 1998 e vai continuar no início de 2016. Foto: Unicef/Jeoffrey Maitem

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários pediu ação imediata da comunidade internacional para ajudar milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar por consequência do El Niño.

Stephen O'Brien falou aos Estados-membros sobre os diversos e arrasadores impactos do fenômeno climático atual que, há meses, tem causado grandes enchentes em alguns países e forte seca em outros.

Emergência

O subsecretário-geral, que é chefe do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assistência Humanitária, Ocha, afirmou que ação imediata iria "salvar vidas e meios de subsistência e evitar uma emergência humanitária ainda mais grave".

No encontro, na quinta-feira, também participaram representantes da ONU em diversos países como Fiji, Guatemala e Etiópia, da Organização Metereológica Mundial, OMM e do Banco Mundial.

Território Desconhecido

O'Brien afirmou que "a força do atual El Niño colocou o mundo em um território desconhecido".

Ele explicou que apesar do fenômeno não ser causado pela mudança climática, o fato de estar acontecendo em um clima modificado significa que seus impactos são menos previsíveis e podem ser mais graves.

Segundo o subsecretário-geral, os impactos, especialmente em segurança alimentar, podem durar até dois anos. O chefe do Ocha expressou ainda particular preocupação com alguns países nas Américas do Sul e Central, na região do Pacífico e no sul e leste da África.

América Latina

O'Brien afirmou que na América Latina e no Caribe, Honduras, Guatemala, El Salvador e Haiti são particularmente vulneráveis.

Ele disse que "mais de 4,2 milhões de pessoas na América Central, incluindo Honduras, Guatelama e El Salvador, foram afetadas por uma das secas mais fortes da história da região, que deve crescer em intensidade até março deste ano".

Segundo o subsecretário-geral, no Haiti, cerca de 3 milhões de pessoas, ou 30% da população, estão em situação classificada como insegurança alimentar, 800 mil de forma grave e precisando de assistência urgente.

Além desses países, a região de forma mais ampla está em risco de efeitos potencialmente arrasadores para o setor agrícola, como enchentes, deslizamento de terra e secas que podem levar ao incêndio de florestas.

Timor-Leste

O'Brien também mencionou potenciais riscos do El Niño a países do Pacífico, inclusive o aumento na probabilidade de tufões e ciclones.

Insegurança alimentar grave também está prevista para o Timor-Leste até março, onde a estimativa é de queda nas colheitas, afetando cerca de 220 mil pessoas.

África

O subsecretário-geral também destacou os impactos na África Oriental. O chefe do Ocha afirmou que a Etiópia "é o país mais afetado até o momento e enfrenta a pior seca em 30 anos".

Segundo O'Brien, as necessidades humanitárias no país "mais do que triplicaram no ano passado", e cerca de 10,2 milhões de pessoas precisam urgentemente de assistência alimentar.

Teste e Desafios

Para o subsecretário-geral, o El Niño apresenta um teste crítico para o sistema global humanitário em duas áreas fundamentais.

A primeira é o compromisso do mundo com ação precoce e rápida; o segundo desafio seria garantir a cooperação entre agentes humanitários e de desenvolvimento e entre a comunidade internacional e atores locais.

Stephen O'Brien destacou que crises anteriores mostraram que ação precoce é fundamental para reduzir a vulnerabilidade e a necessidade de assistência humanitária mais tarde.

Ele mencionou grandes contribuições de doadores e agências humanitárias como "bom começo". No entanto, é preciso mais, especialmente porque os planos de resposta nos países afetados permanecem seriamente subfinanciados.

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