Mais moçambicanos fogem para o Malaui em busca de asilo após confrontos

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Agências da ONU mobilizam apoio com aumento do fluxo nas últimas duas semanas; pessoas chegadas da província central de Tete falam de combates entre forças do exército e homens do maior partido da oposição; país vizinho acolhe mais de 3,2 mil cidadãos de Moçambique.

Malaui acolhe pelo menos 3.265 cidadãos moçambicanos. Foto: Acnur/M. Mapila.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O número de pessoas que fogem de Moçambique em busca de asilo no Malaui “aumentou significativamente ao longo das últimas semanas”, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur.

A agência defende que o país anfitrião acolhe 3.265 cidadãos moçambicanos que na maioria são originários da província central de Tete.

Apoio

Os recém-chegados disseram que fugiram de combates entre homens da Renamo, o maior partido da oposição, e as forças do governo. As declarações foram prestadas ao Acnur e às autoridades malauianas.

A representante da agência das Nações Unidas no Malaui declarou à Rádio ONU, de Lilongue, que decorrem esforços para apoiar às vítimas. As ações são realizadas em parceria com outras agências das Nações Unidas.

Recém-chegados 

De acordo com Monique Ekoko, 2.887 moçambicanos vivem na aldeia de Kapise e outros 387 no distrito de Chikwawa.

A agência da ONU trabalha com o governo do país anfitrião para coordenar a resposta aos recém-chegados.

Necessidades 

Ekoko disse que um plano de contingência de US$ 700 mil foi feito pela agência para abordar as necessidades destes cidadãos.

A malária é uma das principais preocupações dos refugiados e o número de doentes observados diariamente aumentou de 70 para 250. Uma clínica foi instalada pelo Programa Mundial de Alimentação, PMA, e a ONG Médicos Sem Fronteiras, MSF.

Morte

Um oficial do Acnur mencionou declarações de refugiadas a dar conta de fogo colocado na sua casa, que resultou na morte de uma idosa. Relatos não confirmados pela agência referem que forças do governo teriam atacado aldeias por acreditarem que estas possam abrigar membros da oposição.

Os fugitivos revelaram que pais foram separados dos filhos durante a viagem para o país vizinho e ainda não puderam encontrá-los.

Em meados de 2015, foram registados cerca de 700 chegadas de Moçambique, na área onde o Acnur distribuiu artigos de ajuda humanitária. Trata-se de cobertores, tendas, utensílios domésticos e instrumentos agrícolas.

Mudanças

Os refugiados foram hospedados em comunidades locais como parte de acordos com as autoridades nacionais e locais no momento em que se acreditava que a situação seria temporária.

Entretanto, nas últimas semanas fala-se de uma mudança da situação devido ao  aumento de pessoas que atravessam a fronteira para o Malaui.

Com o receio que esteja iminente um surto de cólera, a MSF  perfurou dois poços e planeia entregar um terceiro para melhorar o abastecimento de água.

O Fundo da ONU para a Infância, Unicef, instalou latrinas temporárias e sanitárias para evitar crises de saúde. A agência forneceu tenda para que as crianças possam brincar e aprender.

Guerra Civil

O trabalho na área da saúde materna está a ser planeado pelo Fundo da ONU para a População, Unfpa.

As autoridades malauianas pensam em reabrir o Acampamento de Refugiados de Luwani. O local acolheu moçambicanos durante a guerra civil terminada em 1992. Mais de 1 milhão de moçambicanos viviam no país vizinho.

O  Malaui acolhe cerca de 25 mil refugiados que na sua maioria são da região dos Grandes Lagos. O acampamento de Dzaleka, a 35 quilómetros da capital Lilongwe, teve cerca de metade de alimentos cortados desde outubro passado.

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