Iémen recebeu mais de 92 mil pessoas do Corno de África apesar do conflito

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Acnur revela que maioria dos que chegaram no ano passado é composta por etíopes e somalis; pelo menos 36 pessoas morreram a tentar fazer a rota marítima em janeiro; agência regista mudança de ponto de chegadas ao país.

Barcos em Bab el-Mandeb, que separa a África da Península Arábica. Foto: Acnur/J.Zocherman

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Pelo menos 92.446 pessoas do Corno de África chegaram ao Iémen pelo mar em 2015 apesar do conflito. Nove em cada 10 viajantes eram etíopes.

As informações foram divulgadas esta terça-feira pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, que alertou que o total anual é um dos mais altos registados na última década.

Mortes

Em 2011, a soma de novas chegadas ultrapassou 103 mil e em 2012 chegaram a cerca de 107 mil.

O ano passado foi o segundo ano mais mortífero na rota, com o registo de 95 vítimas. Após a morte de 36 pessoas a 8 de janeiro, a agência reiterou o alerta sobre o perigo da jornada para os que pensam em fazê-la.

O Acnur trabalha com parceiros internacionais e com  autoridades comunitárias para melhorar as condições socioeconómicas, políticas e de segurança na Somália.

Alternativa

A outra meta é procurar soluções duradouras para os refugiados, retornados e deslocados internos. Um dos objetivos é encontrar uma alternativa para os somalis que fazem as viagens marítimas perigosas para o Iémen.

O número de somalis chegados ao território iemenita no ano passado só perde para os pouco mais de 33 mil registados em 2008. Cerca de 95% dos 266 mil refugiados que vivem no Iémen são da Somália.

Capacidade

Os números globais são preocupantes com as chegadas que continuam apesar da escalada sem precedentes do conflito iemenita e da perda de vidas das pessoas que tentam cruzar o mar em barcos superlotados e sem capacidade de navegar.

A maioria dos recém-chegados desembarcou ao longo da costa do Mar Arábico, ao contrário da costa do Mar Vermelho, como nos anos anteriores, onde as redes de contrabando e de tráfico são ativas.

Com o agravamento do conflito, em março de 2015, foram registados mais confrontos ao longo da costa de Taiz. A razão é apontada como uma das explicações para o abandono da rota do Mar Vermelho.

Meios

O Acnur disse que parceiros continuam a patrulhar a costa e a oferecer abrigo, alimentação e cuidados médicos aos resgatados no mar ou aos que chegam pelos seus próprios meios.

As pessoas que procuram proteção internacional são transferidas para o escritório da agência da ONU no país, que encerrou a sua clínica local devido aos combates.

Restrições 

De acordo com o Acnur, muitos recém-chegados estão mal informados sobre a gravidade do conflito e acreditam que a situação acalmou em algumas províncias do sul. Há também rumores da melhoria do acesso a países do Golfo.

Além de restrições na circulação dos recém-chegados, há relatos de pessoas atingidas e mortas no conflito.

Mais de 2,5 milhões de deslocados internos estão a cargo da agência, que doou artigos essenciais e material de abrigo a 280 mil iemenitas que fugiram das suas casas no ano passado.

*Apresentação: Michelle Alves de Lima.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 8 DE DEZEMBRO DE 2017
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