Diretora da OMS preocupada com "propagação explosiva" do zika

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Margaret Chan cita "evidência sugestiva" da ligação entre infecção na gravidez e microcefalia; em Genebra, ela apresentou relatório ao Comitê Executivo da Organização Mundial da Saúde.

Margaret Chan. Foto: ONU/Violaine Martin

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, afirmou nesta segunda-feira que a "propagação explosiva" do vírus zika a novas áreas geográficas e a baixa imunidade da população são motivos de preocupação.

Margaret Chan fez um discurso ao Comitê Executivo da agência, em Genebra. Ela citou a "possível ligação entre a infecção durante a gravidez e bebês que nascem com a cabeça pequena."

Evidências

A diretora da OMS enfatizou "que ainda não foi estabelecido o link entre o zika na gravidez e a microcefalia", mas reconheceu que "a evidência é sugestiva e extremamente preocupante".

Chan agradeceu os países afetados, como o Brasil, por detectar com rapidez a presença do vírus e por notificar a OMS sobre os casos. A chefe da agência da ONU aproveitou para falar também sobre o ebola.

Ebola

Segundo ela, há 15 meses, Guiné, Libéria e Serra Leoa estavam reportando mais de 950 casos por semana. Atualmente, os três países interromperam as cadeias de transmissão, uma conquista considerada "monumental" para Margaret Chan.

Mas a diretora lembrou que a OMS ainda não declarou o fim do surto na África Ocidental porque "o vírus pode permanecer no corpo dos sobreviventes por até um ano".

Novos Casos

Chan garantiu que os três países continuam com intensa vigilância e que a OMS tem mil funcionários na África Ocidental ajudando na detecção de novos casos, como os dois ocorridos recentemente em Serra Leoa.

A diretora da OMS explicou que o "ebola é um vírus teimoso" e que novos casos podem ocorrer. Segundo Chan, mais de 10 mil sobreviventes enfrentam problemas de saúde e estigma e essas pessoas precisam de cuidados.

A diretora falou ao Comitê Executivo da agência sobre a implementação de um programa único de resposta a surtos e emergências, uma mudança que ainda será implementada e fará a OMS "mais forte".

Margaret Chan lembrou de 77 milhões de pessoas que precisam de assistência de saúde em países onde há conflito armado. Ela defendeu ainda a cobertura universal de saúde, "um dos pilares" da nova agenda de desenvolvimento sustentável.

A diretora da OMS falou também sobre duas ameaças e perigos: o aumento das doenças não-transmissíveis e da resistência antimicrobial. Segundo Margaret Chan, "2016 será um ano decisivo e ação é necessária".

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