"Vácuo de segurança causou expansão de grupos extremistas no Iêmen"

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Alerta foi dado pelo enviado especial do secretário-geral da ONU para o país árabe em pronunciamento no Conselho de Segurança; Ismail Ould Cheikh Ahmed afirmou que negociações de paz serão retomadas em breve.

Eviado especial da ONU para o Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed. Foto: ONU/Kim Haughton

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Conselho de Segurança debateu esta terça-feira as situações de segurança e humanitária no Iêmen.

O enviado especial do secretário-geral, Ismail Ould Cheikh Ahmed afirmou que "o vácuo de segurança gerado pelo conflito levou a uma expansão perigosa de grupos extremistas no país".

Al Qaeda e Daesh 

Ould Cheikh Ahmed disse que o grupo terrorista Al-Qaeda consolidou sua presença na província de Hadaramout e o controle do porto de Mukalla. O Daesh continua com sua campanha de ataques e assassinatos de líderes políticos e de segurança.

O enviado do secretário-geral afirmou que as negociações entre líderes iemenitas na Suíça não "produziram" o fim dos confrontos no país como era esperado.

Mas ele declarou que as reuniões forneceram uma base sólida para a retomada das conversações num futuro próximo e também para um acordo para cessar as hostilidades no país.

Condições Insustentáveis

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, disse que ficou encorajado com os esforços para alcançar a paz feitos por todos os lados envolvidos na crise.

Apesar disso, Zeid afirmou que as condições de vida se tornaram insustentáveis para a vasta maioria da população.

Segundo ele, é desastroso o impacto conjunto da violência e das barreiras à entrega de assistência humanitária.

O chefe do Escritório de Direitos Humanos da ONU declarou que pelo menos 21 milhões de pessoas, 80% da população, dependem atualmente de algum tipo de ajuda humanitária.

Zeid alertou que a violência continua aumentando e consequentemente as violações dos direitos humanos. Ele demosntrou profunda preocupação com bombardeios e ataques de artilharia em áreas de população civil, como também contra hospitais e escolas.

Ele pediu ao Conselho de Segurança que "acelere e intensifique os esforços diplomáticos para alcançar um cessar-fogo e para criar uma agenda para negociar uma paz compreensiva e sustentável no Iêmen".

Ajuda Humanitária

A secretária-geral assistente para Assuntos Humanitários, Kyung-Wha Kang, disse ao Conselho de Segurança que as condições da população civil são "alarmantes" com 7,6 milhões necessitando de ajuda de emergência de alimentos para sobreviver.

Ela afirmou que pelo menos 2 milhões de pessoas estão desnutridas, sendo que 320 mil crianças sofrem de desnutrição crônica, o dobro do registrado em março.

Segundo a vice-chefe do Escritório de Assistência Humanitária da ONU, Ocha, o conflito já se espalhou para 20 das 22 províncias do Iêmen, agravando ainda mais a situação humanitária que já era difícil.

Kang explicou que desde março cerca de 8 milhões de pessoas perderam acesso à água potável, pelo menos 1,8 milhão de crianças abandonaram a escola além de 1,6 milhão que já não frequentavam as salas de aula antes da crise começar.

Ela alertou ainda que o sistema de saúde iemenita está perto do "colapso" com 14 milhões de pessoas sem acesso a cuidados médicos adequados. Os pacientes com doenças crônicas, como diabetes ou problemas renais, não conseguem mais encontrar os tratamentos mais básicos.

Fuga

Kang disse que os ataques aéreos e a violência continuam forçando a fuga de  famílias iemenitas. Neste momento, o país tem mais de 2,5 milhões de deslocados internos, oito vezes mais do que antes do conflito.

A secretária-geral assistente declarou que mais de 2,7 mil pessoas morreram no país por causa da violência, 637 eram crianças. Pelo menos 70 hospitais e clínicas foram atingidos por bombardeios. Mais de 170 escolas foram destruídas e mais de 600 danificadas.

Apesar das dificuldades, as organizações humanitárias conseguiram fornecer água e saneamento básico a 4 milhões de pessoas. A distribuição de alimentos tem aumentado todos os meses. Em novembro, 1,9 milhão de iemenitas receberam comida da ONU e a meta é atingir 5 milhões em fevereiro.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 8 DE DEZEMBRO DE 2017
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