Retrospectiva 2015: líderes lusófonos debatem desafios globais na ONU

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Chefes de Estado e governo e autoridades de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste falaram à Rádio ONU sobre temas que marcaram o ano.

Vista da Assembleia Geral da ONU durante a Cúpula do Desenvolvimento Sustentável. Foto: ONU/Loey Felipe

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

Desenvolvimento sustentável, clima, comércio e a crise de refugiados. Estes foram alguns dos temas abordados pelos líderes dos países de língua portuguesa em entrevistas exclusivas à Rádio ONU este ano.

Em setembro, as Nações Unidas adotaram a nova Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, com 17 objetivos e 169 metas.

Desenvolvimento Sustentável

Logo após seu discurso na Cúpula que aprovou os chamados Objetivos de  Desenvolvimento Sustentável, ODS, o vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, falou à Rádio ONU o que os cidadãos do país podem esperar para daqui a 15 anos com a adoção na nova agenda.

"Primeiro, a erradicação da pobreza. A melhoria de vida de todas as populações e, se possível, termos um mundo sem conflitos."

A presidente Dilma Rousseff também participou da Cúpula sobre o Desenvolvimento Sustentável, onde anunciou as metas brasileiras para combater à mudança climática.

Logo após o seu discurso, ela falou à Rádio ONU sobre o compromisso do Brasil com o desenvolvimento sustentável.

Fome Zero

"Nós estamos nos comprometendo a reduzir em 43% as emissões de gases de efeito estufa no horizonte de 2030, com base no ano de 2005. E, ao mesmo tempo, somos o país que criou o Fome Zero, que saiu do Mapa da Fome, e que tem uma retrospectiva muito importante, tiramos mais de 36 milhões da extrema pobreza".

Na entrevista exclusiva, Rousseff afirmou que o foco de seu pronunciamento na Cúpula foi o meio ambiente. A presidente falou sobre o comprometimento para "que se mantenha o limite de 2º C no aumento da temperatura" e, para isso, algumas metas que considera "extremamente relevantes" como, por exemplo, "o fim do desmatamento ilegal até 2030".

Aquecimento Global

Já o primeiro-ministro de Cabo Verde afirmou que Estados insulares defendem uma proposta de manter o aumento da temperatura abaixo de 1,5º C.

José Maria Neves defendeu que estes países são “os que mais sofrem no momento os efeitos das mudanças climáticas”. Ele falou à Rádio ONU de Paris, onde participou da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, COP21.

Refugiados do Clima

“Temos já os primeiros refugiados do clima e vêm precisamente dos pequenos Estados insulares. O aumento da temperatura, do nível das águas do mar, a acidificação dos oceanos, a seca, a desertificação, as inundações e as catástrofes atingem forte, decisiva e diretamente os pequenos Estados insulares.”

Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são outras nações de língua portuguesa que fazem parte do grupo de Pequenos Países Insulares em Desenvolvimento.

Diálogo

Em entrevista à Rádio ONU, em dezembro, o representante especial do secretário-geral na Guiné-Bissau, Miguel Trovoada, defendeu a necessidade do diálogo e do entendimento entre os guineenses para estabilizar o país.

"É necessário que tudo seja feito para que as autoridades nacionais possam estabelecer uma plataforma de diálogo e entendimento sem o qual não será possível a estabilidade e a paz social para permitir o país realmente avançar, consolidar o Estado de direito e as instituições democráticas e implementar os programas de desenvolvimento."

Paz

O presidente de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi, também falou à Rádio ONU que "deve haver diálogo quando a paz é ameaçada pela violência".

"A paz, temos dito sempre, que tem que ser sustentada, tem que ser alimentada. E isso, não só no meu país, mas também em todos os países. Paz significa viver bem. Significa ter a certeza de que, se eu dormir, vou acordar. A paz significa ter comida, ter saúde, ter boa educação. Não necessariamente a ausência da guerra, esta é a forma violenta que pode acontecer. E por isso mesmo, nós, no nosso vocabulário em Moçambique temos dito, como uma prioridade, depois da unidade nacional temos que estar a viver em paz para vermos se estamos em um país soberano".

Na entrevista, o presidente moçambicano falou ainda da necessidade de uma aposta na "diplomacia econômica" na Comunidade de Países de Língua Portuguesa, Cplp.

Desenvolvimento Econômico

O tema também foi abordado na entrevista concedida pelo presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva.

"Nós queremos que os negócios em língua portuguesa cada vez mais se encontrem. Que empresários de cada um destes países entrem em contato uns com os outros para promover o desenvolvimento econômico e social. Portugal estará sempre em primeira linha, e agora de acordo com a Agenda de Desenvolvimento Sustentável, no combate à pobreza que ainda possa existir nesses países de língua portuguesa em África no apoio à saúde, no apoio à educação e no apoio nos mais variados domínios."

Em seu discurso na 70ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro, o presidente citou, entre outros tópicos, conflitos na Síria, no Iraque e na Líbia e  defendeu que o português seja adotado como língua oficial na ONU.

Jovens

Já o primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Patrice Trovoada, falou à Rádio ONU sobre os avanços do país em áreas sociais e mencionou o acesso dos jovens à internet.

“Estamos a avançar na frente social, nomeadamente no que diz respeito às condições salariais, o novo código de trabalho. Temos também encarado a possibilidade de programa de habitações sociais para os funcionários. A nível da internet oferecemos praças digitais para que os jovens possam ter acesso gratuito à rede. Nós estamos também a trabalhar no sentido da governação eletrónica que vai permitir uma maior aproximação das populações com a administração, maior eficiência, maior transparência a nível da administração publica."

CPLP

O primeiro-ministro do Timor-Leste, Rui Maria de Araújo, também concedeu uma entrevista à Rádio ONU. Ele falou sobre a presidência timorense da Cplp e destacou a relação do país com a ONU.

“As Nações Unidas tiveram um papel importantíssimo na gênese do Estado timorense. Foi aqui, desde 1975, os líderes históricos da nossa luta de libertação, como por exemplo, o doutor Ramos Horta esteve a batalhar pela internacionalização do caso do Timor-Leste e também pelo direito da autodeterminação. Obviamente apoiado por vários países membros da ONU inclusive, com destaque, os países irmãos da Cplp que deram muito apoio naquela altura.”

Tradição

Em seu discurso na Assembleia Geral, o primeiro-ministro destacou temas como o aniversário de 70 anos das Nações Unidas, a reforma do Conselho de Segurança da ONU, conflitos, migrantes e refugiados e a adoção da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável.

Como tradição, o Brasil abriu o primeiro dia de debates de alto nível na 70ª Assembleia Geral. Em seu discurso, a presidente Dilma Rousseff  afirmou que o país está "de braços abertos para receber refugiados".

Todas as entrevistas estão disponíveis na Rádio ONU.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 8 DE DEZEMBRO DE 2017
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