Para representante da ONU, crise síria é "mancha na consciência coletiva"

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Em Damasco, subsecretário-geral para Assuntos Humanitários declara que situação é inaceitável, com 13,5 milhões de civis precisando de assistência; ONU e agências necessitam de US$ 3,2 bilhões para ajudar país em 2016.

Stephen O'Brien visita bairro de Al Waer em Homs, na Síria. Foto: Ocha/Bassam Diab

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários terminou nesta segunda-feira uma visita à Síria. Na capital Damasco, Stephen O'Brien declarou que a crise no país é "uma mancha na consciência coletiva" e uma "situação inaceitável".

O chefe humanitário da ONU fez um apelo à comunidade internacional, para que apoie as operações no país em 2016. Para isso, a organização calcula serem necessários US$ 3,2 bilhões.

Plano 2016

O'Brien afirmou ter ido à Síria para encontrar maneiras de garantir que todos os que precisam de ajuda no país recebam assistência. O plano humanitário da ONU para a Síria prevê ajudar 13,5 milhões de civis, sendo que 6,5 milhões estão deslocados dentro do país.

Mais de 70% da população está sem acesso à água potável e 2 milhões de crianças estão fora da escola. Durante a passagem pela Síria, Stephen O'Brien também visitou Homs e o bairro de Al Waer, onde foi firmado recentemente um acordo para a diminuição das hostilidades.

Com isso, agências da ONU e parceiros como o Crescente Vermelho Sírio Árabe conseguiram entregar assistência a famílias que não tinham recebido nenhuma ajuda desde janeiro.

Desafios

Mas o subsecretário-geral da ONU nota que apesar dos progressos em Al Waer, pessoas em várias outras regiões da Síria continuam privadas de ajuda humanitária. Cerca de 4,5 milhões vivem em regiões difíceis de serem alcançadas e 400 mil pessoas estão sitiadas.

Entre janeiro e novembro, a ONU e parceiros conseguiram ajudar apenas 1,5% das pessoas em regiões sitiadas e 7% dos que estão em áreas de difícil acesso. Em Al Waer, O'Brien visitou um hospital de crianças, onde agora são atendidos pacientes de todas as idades. Lá, ele afirmou ter testemunhado, em primeira mão, a "resiliência do povo sírio".

O subsecretário-geral também visitou uma escola que está sendo utilizada como abrigo por 45 famílias. Essa escola já foi atingida por morteiros várias vezes, deixando crianças feridas durante os ataques.

Soluções

Stephen O'Brien destacou que a situação continua bastante frágil e até mesmo durante sua visita, um carro explodiu na cidade de Homs, em mais um ataque reivindicado pelo Isil, matando e ferindo inocentes.

No domingo, foram relatados ataques aéreos que atingiram uma escola em Douma e um outro ataque em Damasco. O'Brien afirmou que são "sinais trágicos da urgência em se encontrar uma solução política e garantir um acordo de cessar-fogo nacional".

O representante da ONU lembrou que ataques indiscriminados são inaceitáveis e é preciso fazer tudo o que se está ao alcance para proteger civis inocentes de tais "atrocidades".

O'Brien também teve encontros construtivos com o governador de Homs, Talal Barazi, e com líderes comunitários, sobre como garantir que os trabalhadores humanitários possam realizar seu trabalho.

Por fim, ele expressou sua esperança com a ajuda financeira da comunidade internacional durante a conferência para a Síria, marcada para fevereiro em Londres.

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