ONU preocupada com linguagem sectária próximo das eleições centro-africanas

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Chefe dos Direitos Humanos condena criação de grupos de vigilantes; Zeid Al Hussein  quer ações urgentes para conter incitamento à violência e ao ódio; apelo inclui investigação de Forças Armadas da República Centro-Africana.

Alto comissário para os Direitos Humanos, Zeid Al Hussein. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque. 

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos expressou profunda preocupação com o maior uso da linguagem sectária na República Centro-Africana, ao alertar para as consequências dramáticas em “ambiente pré-eleitoral altamente volátil”.

Em nota, emitida esta sexta-feira, Zeid Al Hussein condenou a violência intercomunitária no país, que desde setembro registou pelo menos 130 mortos e 430 feridos.

Líderes

O responsável deplora com veemência o incitamento à violência e as tensões entre comunidades “provocadas por alguns grupos armados e líderes políticos”. Zeid disse que tais ações podem levar facilmente a mais uma onda de ataques direcionados.

A outra preocupação do responsável é com todas as partes envolvidas na crise, que “incluem autoridades do mais alto nível”, que segundo ele apelam à criação de grupos de vigilantes.

Zeid considera profundamente preocupante a tendência crescente de organização de grupos de autodefesa e de se excluir quem não seja considerado parte da comunidade cristã ou muçulmana. Ele observou que “em breve bairros mistos poderão desaparecer completamente”.

Eleições

No princípio desta semana, a capital centro-africana Bangui foi palco de atos de violência depois do anúncio dos candidatos elegíveis para as eleições de 27 de de dezembro.

A propósito dos atos, Zeid pediu medidas urgentes às autoridades para conter o incitamento à violência e ao ódio e para garantir a responsabilização pelas violações de direitos humanos.

Ataques

Nos últimos dois meses foram registados no país 11 casos de violência sexual e baseada no género. Houve também uma subida nos ataques contra pessoal da missão da ONU na Republica Centro-Africana, Minusca, e contra as tropas internacionais em várias partes do país.

Zeid destaca nove mortes ocorridas na cidade de Batangafo, a noroeste, além de 730 cabanas incendiadas. Cerca de 13 mil pessoas fugiram em busca de refúgio nas instalações da Minusca na área onde “a situação continua muito tensa”.

Zeid  disse que a recente visita do papa e as suas fortes declarações a favor da reconciliação intercomunitária, do perdão e da paz criou uma dinâmica que poderia alterar a espiral da violência dos últimos meses.

Tribunal Criminal Especial

Após elogiar esforços dos líderes religiosos, Zeid  disse que o fim da impunidade é talvez a mais importante prioridade para trazer de volta a paz e a estabilidade.

O alto comissário sublinhou que “a criação do Tribunal Criminal Especial será um passo muito importante para garantir a prestação de contas”.

Violações

O alerta aos membros de grupos armados e aos dirigentes responsáveis por graves violações dos direitos humanos e do direito humanitário internacional é que um dia estes responderão em tribunais nacionais ou internacionais.

Às autoridades do Estado, Zeid  pediu que reformem, controlem e formem as Forças Armadas Centro-Africanas. O outro pedido é que seja investigado o número crescente de violações de direitos humanos de que estas são acusadas.

Entre os casos apontados está o alegado envolvimento na fuga em massa numa prisão da área de Ngaragba, e a morte de pelo menos quatro civis muçulmanos entre finais de setembro e meados de outubro.

Leia Mais:

ONU lança relatório sobre direitos humanos na República Centro-Africana

 

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
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