No Brasil, chefe de direitos humanos da ONU fala sobre raízes do racismo

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Alto comissário Zeid Hussein participa de reunião regional da Década Internacional de Afrodescendentes; 150 representantes da sociedade civil e governos reunidos em Brasília debatendo estratégias para promover  igualdade.

Na imagem, da esquerda para a direita: o procurador-geral da República, Rodrigo Janot; a ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos, Nilma Lino Gomes; e o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Al Hussein. Foto: UNIC Rio/Gustavo Barreto

Gustavo Barreto e Amanda Talamonte, do Unic Rio/ONU Brasil*

Começou nesta quinta-feira, em Brasília, a primeira reunião da América Latina e do Caribe sobre a Década Internacional de Afrodescendentes da ONU, que vai de 2015 a 2024.

O evento, organizado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e sediado pelo governo brasileiro, segue até sexta-feira e reúne cerca de 150 pessoas de toda a região.

Raízes

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, está em visita oficial ao Brasil para participar do encontro. Na abertura do evento, Zeid destacou que a tarefa proposta pela Década é "grandiosa".

Zeid falou sobre o desafio de reverter, em 10 anos, cinco séculos de discriminação racial, que "tem profundas raízes no colonialismo e na escravidão".

Leis

Na avaliação dele, essa discriminação se alimenta diariamente do medo, da pobreza e da violência. O chefe da ONU para os direitos humanos avalia que são raízes que se infiltram de "forma agressiva" no acesso à educação, aos alimentos, até na integridade física e na participação nas decisões que afetam fundamentalmente a vida de cada pessoa.

Em Brasília, o alto comissário destacou que a Década Internacional é uma oportunidade para levar adiante diversas reformas que já estão acontecendo na região, em países como Argentina, Brasil e México.

Ele também espera que a Década impulsione a aplicação "com firmeza" de leis relacionadas ao tema e a implementação de políticas e programas de modo a trazer "melhorias tangíveis" para as vidas das pessoas afro-descendentes.

Investimento Social

Zeid Al Hussein acredita que com metas concretas, será possível "fazer uma diferença transformadora nos 10 anos decisivos da vida de uma criança da favela ou de um bairro pobre".

No evento, a ministra brasileira das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos afirmou que o Brasil se sentiu muito honrado em receber a primeira conferência da Década Internacional de Afrodescendentes.

Segundo Nilma Lino Gomes, o combate à desigualdade racial está em uma série de políticas do governo brasileiro, como o aumento do volume dos investimentos sociais.

A ministra afirmou que o nível de pobreza da população negra brasileira caiu 73%. Neste ano, 58% das pessoas inscritas no Enem são afrodescendentes. Mas ela reconhece que mesmo com os avanços, o racismo persiste no país, um comportamento "incompatível com a democracia", nas palavras de Nilma Lino Gomes.

Saiba mais sobre a Década de Afrodescendentes em http://decada-afro-onu.org

*Apresentação: Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 14 DE DEZEMBRO DE 2017
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