“Moçambique conseguiu vencer a guerra de minas”

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Dos campos minados foram desenterrados pelo menos 214 mil engenhos explosivos em todo o país; Falando à Rádio ONU, diretor da entidade responsável pela desminagem destacou o apoio de Portugal, Angola e Guiné-Bissau.

Limpeza de minas no Sudão do Sul. Foto: ONU/JC McIlwaine

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Moçambique reiterou que está livre de minas durante a reunião dos Estados Partes da Convenção sobre Proibição de Minas Antipessoais, que decorre em Genebra.

Em 22 anos, cerca de 214 mil engenhos explosivos foram retirados do território moçambicano depois da assinatura do Acordo Geral de Paz. A medida fez parte do entendimento que marcou o fim de mais de 16 anos de guerra civil.

Polícias

O diretor do Instituto Nacional de Desminagem de Moçambique falou esta quarta-feira à Rádio ONU, da cidade suíça.

Alberto Augusto contou que centenas de polícias são formados com apoio internacional para lidar com futuros casos isolados de engenhos não identificados.

“A comunidade internacional está a celebrar porque também é sua vitória e não só de Moçambique. É de todos nós. Uma vez que o país nunca teve mapa (do tipo de explosivos) continuaremos a descobrir minas. Acreditamos que não vamos encontrar campos minados, mas vamos encontrar minas isoladas. Para tal, juntamente com a comunidade internacional, estamos a formar polícias para ter a capacidade de identificar, remover e destruir minas.”

Lusófonos

O representante disse que o apoio dos países também poderá ser necessário na nova etapa após livrar o país dos explosivos. Os esforços contaram com nações de língua portuguesa.

“Tivemos sempre apoio de muitos países. Temos trabalhado com Portugal, Angola e Guiné-Bissau. Guiné-Bissau já está livre de minas mas Angola ainda continua. Em termos de apoio tivemos parceiros de cooperação como estados Unidos, Noruega, Grã-Bretanha, Suécia, Suíça, Japão, Austrália, as próprias Nações Unidas através do Pnud e Holanda que continuam. Nesse aspeto foi feliz nessa parte.”

Em discurso apresentado na reunião, o secretário-geral da ONU disse que os países devem começar a executar o Plano de Ação de Maputo.

O documento foi adotado em 2014 para avançar com os progressos na área durante o segundo evento global sobre minas organizado por Moçambique, em 15 anos.

Armazenamento

De acordo com as Nações Unidas, mais de 47 milhões de minas foram destruídas e 157 países já não armazenam o tipo de engenhos.

No seu pronunciamento, Ban destacou que vastos territórios foram limpos de minas antipessoais e libertados para uso pacífico e produtivo.

A queda do número de vítimas foi de cerca de dois terços na última década, aliada a melhorias para reabilitar sobreviventes e dar assistência à sua reintegração.

Explosivos

Mas o chefe da ONU pediu que continuem os esforços internacionais porque cerca de “8 milhões de pessoas ainda vivem próximas de áreas onde estão implantadas minas e resíduos explosivos de guerra”.

Em todo o mundo, 4,7 milhões de pessoas estão em risco de ser afetadas como resultado da migração sazonal pelos corredores onde ainda existe o tipo de engenhos explosivos.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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