Associações moçambicanas de pessoas com deficiências precisam de apoio

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As prioridades são ajuda financeira e de infraestrutura para o funcionamento adequado da instituição; objetivo é a expansão dos trabalhos de difusão de informação nas zonas rurais para que os deficientes conheçam seus direitos.

Ricardo Moresse (esquerda), Farida Gulamo (centro) e Garrido Cuambe (direita). Foto: Rádio ONU/Ouri Pota

Ouri Pota, da Rádio ONU em Maputo.

Empoderar e capacitar as pessoas para garantir a acessibilidade de indivíduos com deficiência é o lema do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência em Moçambique. A data é celebrada esta quinta-feira, 3 de dezembro.

Falando à Rádio ONU, em Maputo, o coordenador executivo do Fórum das Associações Moçambicanas dos Deficientes, Famod, Garrido Cuambe, cita a questão financeira como uma das barreiras principais para a realização de actividades de sensibilização e partilha de informação.

Recursos

"A questão financeira dificulta muito a chegada do fórum no campo. Infelizmente a situação da deficiência no campo tem sido muito caricata, porque há falta de informação naqueles locais, o que contribui bastante para que o número de pessoas com deficiência ou desconhecimento seja elevado, enquanto que nas cidades temos a possibilidade de termos os jornais, a  rádio, a televisão e isso tem ajudado na chegada de informação às pessoas, apesar de ser ainda muito pouco".

Já a activista Farida Gulamo, afirma que em Moçambique  as pessoas que usam cadeiras de roda e as que possuem deficiência visual são as mais afectadas.

"Não há muitas oportunidades em termos do acesso à educação, embora a situação esteja a melhorar paulatinamente, no acesso ao trabalho, à formação profissional, ao acesso aos serviços de saúde, à própria acessibilidade em termos de infraestrutura. Os passeios e as estradas não estão preparadas para poderem conviver com pessoas com deficiências, principalmente as que usam cadeira de roda e aquelas que não têm visão".

Desafio

Para outro activista da área, Ricardo Moresse, o maior desafio no país é a questão dos mitos.

"No interior de Moçambique  ainda há regiões em que quando nasce uma criança com deficiência numa família é como se fosse uma desgraça. Muitas das vezes é arrancada a criança ao colo da mãe e à criança é dada um destino incerto, mas nós temos estado a lutar contra estas práticas e hoje as pessoas vão percebendo que as pessoas com deficiências são pessoas normais , o que precisam é uma questão de oportunidade para poder em pé de igualdade progredir como uma pessoa normal".

O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência foi criado pelas Nações Unidas em 1998. O objectivo é promover uma maior compreensão da questão e mobilizar a defesa da dignidade, dos direitos e do bem estar das pessoas com deficiência.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
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