Unaids diz que 15,8 milhões de pessoas com HIV recebem tratamento

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Relatório da agência da ONU mostra que número dobrou nos últimos cinco anos; autoridades dizem que isso é resultado da implementação da estratégia conhecida como "fast-track", para prevenção e tratamento da Aids.

Diretor da Unaids, Michel Sidibé, na apresentação do relatório em Genebra. Foto: Unaids/Pierre Albouy

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Programa Conjunto sobre HIV/Aids, Unaids, afirmou que 15,8 milhões de pessoas no mundo estão recebendo tratamento para o HIV, o dobro do registrado há cinco anos.

Pouco antes do Dia Mundial de Combate à Aids, em 1º de dezembro, a agência da ONU divulgou relatório mostrando que cada vez mais países estão implementando a estratégia "fast-track", que tem como objetivo acabar com a doença até 2030.

Engajamento

De Berlim, na Alemanha, o vice-diretor-executivo do Unaids, Luiz Loures, falou à Rádio ONU, nesta terça-feira, sobre o combate ao HIV.

"É fundamental para que nós avancemos que cada pessoa tenha conhecimento de seu status e aí (ela) pode tomar as medidas necessárias para prevenção e sem dúvida aproveitar os avanços científicos que nós temos hoje e começar o tratamento. Esse é o maior desafio que existe em relação aos países. O engajamento é variado. Alguns países como o Brasil, têm avançado de forma rápida e, principalmente, na produção dos testes aos grupos mais vulneráveis, os homens que têm sexo com homens e as trabalhadoras sexuais. Mas alguns outros países, principalmente pela discriminação, estão ficando para trás".

O Brasil está entre os países de baixa e média rendas que conseguiram suprimir o vírus em mais de 80% das pessoas que recebiam tratamento antirretroviral. O mesmo ocorreu em Laos, na Malásia e no México.

Profilaxia

O caso brasileiro foi igualmente citado no relatório pelo tratamento de pessoas que após uma relação sexual casual recearam ter contraído o vírus. A chamada profilaxia pré-exposição teve uma taxa de aceitação de 50%. A meta é que se chegue a tratar 3 milhões por ano, com foco em pessoas de alto risco.

O Brasil foi mencionado também pela oferta de serviços abrangentes de prevenção e de tratamento do HIV nos cuidados de saúde universal. O país foi o primeiro a dar tratamento combinado gratuito para o vírus.

Mudança

A estratégia do Unaids usa dados de saúde para disponibilizar serviços de prevenção e tratamento para as pessoas que tenham ficado para trás sem receber qualquer tipo de ajuda.

A agência explicou que os governos estão se adaptando a um ambiente global em constante mudança "maximizando inovações". As autoridades disseram que dessa forma, os países estão vendo maior eficiência e melhores resultados nas operações.

Novas Infecções

O relatório cita que os números são claros: em 2010, 7,5 milhões de pessoas recebiam tratamento antirretroviral contra o HIV, em 2005, eram apenas 2,2 milhões.

Além disso, o número de novas infecções caiu 35% desde 2000 e as mortes relacionadas à Aids diminuíram 42% desde 2004.

O diretor-executivo da agência da ONU, Michel Sidibé, afirmou que "a cada cinco anos o número de pessoas que recebem tratamento contra o HIV dobrou".

Os benefícios do coquetel de medicamentos para combater o vírus ajudam as pessoas a viverem por mais tempo e de forma saudável. Isso contribuiu para o aumento da população global que vive com HIV.

Acesso Imediato

Até o fim de 2014, o Unaids calcula que 36,9 milhões de pessoas estavam vivendo no mundo com o vírus. A agência diz que uma vez diagnosticada com HIV, a pessoa deve ter acesso imediato ao tratamento antirretroviral.

Segundo Sidibé, os países estão trabalhando para dobrar o número de pessoas em tratamento até 2020.

Ele explicou que essa estratégia "fast-track" é crucial para atingir a meta 90-90-90 do Unaids, que significa assegurar que 90% das pessoas com HIV saibam de sua condição de saúde.

É importante também que 90% dos que têm conhecimento da doença recebam tratamento e que 90% dos que estão em tratamento tenham conseguido suprimir o vírus.

A agência da ONU alerta que para pôr um fim à Aids como uma ameaça de saúde pública, é necessária uma resposta mais rápida e específica no uso de dados para mapear e alcançar pessoas nas regiões onde as novas infecções mais ocorrem.

Ajuda

O Unaids disse que "através do uso detalhado de informações nacionais, os países têm condições de focalizar em níveis locais, detectando onde as novas infecções de HIV estão ocorrendo e onde as pessoas mais precisam de ajuda".

O relatório mostra como os governos podem redistribuir os recursos para melhorar o acesso aos serviços de prevenção e tratamento do HIV.

O documento diz que com a implementação da estratégia "fast-track" e investimentos, as lacunas podem ser fechadas rapidamente e os recursos podem alcançar mais pessoas.

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