República Centro-Africana: para Acnur visita do papa é oportunidade para paz

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Agência afirmou que grupos ligados ao conflito devem reconstruir processo de reconciliação nacional; confrontos mataram pelo menos 13 pessoas em novembro;  chefe humanitário da ONU no país teme que emergência se transforme em crise humanitária esquecida.

Papa Francisco no Quênia. Foto: Pnuma.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, pediu aos grupos rivais da República Centro-Africana que aproveitem a oportunidade da visita papal ao país para reconstruir o processo de reconciliação nacional.

O papa Francisco deve chegar à capital, Bangui, no domingo. A visita será a última etapa de sua viagem à África que incluiu também Quênia e Uganda.

Missão de Paz

O comissário da Polícia da Missão das Nações Unidas na República Centro-Africana, Minusca, Luís Carrilho, falou à Rádio ONU sobre a expectativa para a visita.

"Existe uma Missão de Paz, com forças militares, polícia, com uma forte componente civil também que está empenhada em ajudar as autoridades nacionais, sobretudo as de segurança, para que a visita decorra em paz. Mas a segurança, é uma responsabilidade também de toda a comunidade. A reconciliação ajuda a segurança. O momento de uma visita de sua santidade, o papa, é sempre o momento certo e todos esperamos que, cada vez mais, a República Centro-Africana seja um país onde a população possa viver em paz e segurança".

Violência

De acordo com o Acnur, a onda de violência na República Centro-Africana aumentou para 44,5 mil o número de deslocados no país desde setembro.

A agência reconhece que a situação está atualmente “calma, mas tensa” na capital centro-africana. No entanto, revela preocupação com surtos de violência que fizeram “recuar os frágeis esforços para restabelecer uma paz duradoura e colocaram em risco as eleições previstas para o final de dezembro” no país.

Assistência Humanitária

O coordenador humanitário da ONU na República Centro-Africana disse que, após o conflito de três anos, mais de 2,3 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária.

Aurelién Agbénonci disse que os centro-africanos precisam de mais apoio diante de uma emergência que está se tornando outra "crise humanitária esquecida".

Crianças

Já o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef calcula que 1,2 milhão de crianças precisem de apoio urgente no país.

Desde setembro, dezenas de pessoas morreram, centenas de casas foram destruídas. Mais de 70 mil centro-africanos foram obrigados a fugir devido à violência.

Em novembro pelo menos 13 pessoas morreram, incluindo um soldado de paz das Nações Unidas em Bangui.

Eleições

As eleições presidenciais e legislativas foram adiadas de 18 de outubro para 27 de dezembro.

Cerca de 800 abrigos e 120 casas destruídos nas cidades de Bambari e Batangafo, em confrontos armados e ataques que fizeram centenas de feridos em áreas que acolhem deslocados internos.

As vítimas foram abrigadas em outros locais, incluindo instalações da missão de paz da ONU. De acordo com o Acnur, a maioria das pessoas escondeu-se no mato.

Outras pessoas atravessaramu o rio Oubangui para a República Democrática do Congo. Nas primeiras três semanas de novembro foram registrados 1.236 refugiados na província de Equador.

Proteção

A onda de deslocamentos forçados criou necessidades de proteção, de abrigos de emergência, de cuidados de saúde e de apoio psicossocial, assim como água e saneamento.

Pelo menos 10 organizações tiveram seus escritórios e armazéns saqueados e atacados, o que o Acnur considera preocupante. A agência reiterou o seu apelo pela garantia do acesso humanitário e a proteção dos trabalhadores do setor.

*Apresentação: Laura Gelbert.

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