Relatório do Banco Mundial quer manter 100 milhões fora da pobreza

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Documento diz que isso será possível através de um desenvolvimento climático inteligente; especialistas afirmaram que serão necessários também esforços para combater as emissões que causam o efeito estufa.

Foto: Banco Mundial/Curt Carnemark

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

Um relatório lançado esta segunda-feira pelo Banco Mundial revela que sem a implementação de um "desenvolvimento climático inteligente" mais de 100 milhões de pessoas podem cair na pobreza até 2030.

O documento, cujo título é: Ondas de Choque: Gestão dos impactos da mudança do clima sobre a pobreza, afirma que "os mais pobres já correm risco elevado dos impactos relacionados ao clima".

Chuva

Entre eles estão a perda da colheita por causa da falta de chuva, aumento dos preços dos alimentos devido a condições climáticas extremas e alta incidência de doenças após ondas de calor ou enchentes.

O relatório afirma que esses choques podem anular ganhos obtidos, levando a perdas irreversíveis e arrastando novamente as pessoas para a pobreza, especialmente na África e no Sul da Ásia.

O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim disse que o documento envia uma mensagem clara de que "erradicar a pobreza somente será possível adotando uma ação decisiva para reduzir a ameaça da mudança do clima sobre as pessoas pobres e reduzir drasticamente emissões prejudiciais".

Segundo ele, a mudança do clima atinge mais forte os pobres e o desafio de todos é proteger dezenas de milhões de pessoas para que não caiam na extrema pobreza por causa da mudança climática.

América Latina

Na América Latina e no Caribe, sem um desenvolvimento adequado e consciente em relação ao clima, mais de 2,6 milhões de pessoas podem cair na extrema pobreza até 2030.

Isso pode acontecer, em grande parte, como resultado dos impactos na saúde causados por alterações climáticas e os efeitos de temperaturas mais altas sobre a produtividade dos trabalhadores.

As catástrofes naturais também podem afetar desproporcionalmente os pobres na região. Quando o furacão Mitch atingiu Honduras em 1998, os pobres perderam proporcionalmente três vezes mais bens e rendimentos do que os demais.

Pobres

O relatório conclui que os mais pobres estão mais expostos do que a média da população aos choques relacionados ao clima, tais como enchentes, secas e ondas de calor e perdem muito mais de suas posses quando atingidos.

Nos 52 países para os quais há disponibilidade de dados, 85% da população vive em regiões onde os pobres estão mais expostos à seca do que a média.

As pessoas mais pobres também estão mais expostas a temperaturas mais elevadas e vivem em países onde a produção de alimentos deve diminuir em consequência da mudança do clima.

O relatório, divulgado algumas semanas antes de os negociadores internacionais se reunirem em Paris para debater o clima, mostra que erradicar a pobreza e combater a mudança climática podem ser conseguidos de forma mais eficaz se abordados em conjunto.

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