ONU observa piora drástica no Iémen, com mais de 5,7 mil mortos

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Conflito já resultou em incidentes com 32 mil pessoas e por dia, ocorrem em média 43 violações dos direitos humanos; colapso dos serviços básicos está a acelerar e 14 milhões de civis não têm acesso a tratamento de saúde.

OMS já entregou 960 mil litros de água em distritos do Iémen. Foto: OMS Iémen

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque. 

As Nações Unidas alertam para uma "piora drástica da situação no Iémen, com mais de 32 mil pessoas feridas e 5,7 mil mortos, que incluem 830 mulheres e crianças”.

Outro problema é o aumento dos abusos dos direitos humanos: já foram cometidas mais de 8,7 mil violações, uma média de 43 por dia. Da capital iemenita, Sanaa, o coordenador humanitário da ONU declarou que "o colapso de serviços básicos continua a acelerar".

Desnutrição

Johannes Van der Klaauw disse que 14 milhões de pessoas estão sem acesso a cuidados de saúde.

Cerca de 3 milhões de crianças  e de mulheres grávidas ou a amamentar precisam de tratamento para desnutrição ou de serviços preventivos de saúde. Desde meados de março, quando o conflito começou, 1,8 milhões de crianças deixaram de ir à escola.

Segundo Van der Klaauw, serviços essenciais estão rapidamente a fechar devido ao impacto direto do conflito e à falta de recursos financeiros para garantir salários ou manter os locais.

Desespero

O coordenador humanitário da ONU afirmou que o conflito já se espalhou por 20 das 22 províncias do Iémen e criou, nos últimos sete meses, uma "situação humanitária desesperadora".

São mais de 21 milhões de pessoas, ou 82% da população, a precisar de algum tipo de assistência básica ou de proteção. A ONU calcula que 19 milhões de pessoas não têm acesso à água ou ao saneamento e 14 milhões não têm comida suficiente. Quase 320 mil crianças não estão a receber nutrição adequada.

Desde o início dos confrontos, 2,3 milhões de iemenitas foram forçados a abandonar as  suas casas e outros 120 mil fugiram do país. Mesmo antes, o país já enfrentava pobreza e baixo desenvolvimento. A crise atual piorou a situação humanitária, com um "completo desrespeito à vida humana", segundo Van der Klaauw.

Financiamento

O representante da ONU falou sobre a possibilidade de muitas ações serem crimes de guerra. Com a drástica redução nas importações comerciais, o Iémen tem baixas reservas de combustível, comida, medicamentos e outros itens essenciais.

Van der Klaauw pediu à comunidade internacional para amenizar as restrições sobre as importações de combustível, alimentos e medicamentos. A ONU lançou em junho um Plano de Resposta Humanitária para o Iémen, no valor de US$ 1,6 mil milhão, mas só recebeu US$ 700 milhões.

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