"Nada mudou na Coreia do Norte", afirma relator da ONU

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Dois anos após apresentação de relatório sobre direitos humanos no país, crimes contra a humanidade continuam sendo documentados; Marzuki Darusman está desapontado com tratado de extradição que Rússia assinou com norte-coreanos.

Marzuki Darusman. Foto: ONU/Paulo Filgueiras

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O relator das Nações Unidas sobre a situação de direitos humanos na Coreia do Norte fez um alerta nesta quinta-feira: nada mudou no país nos últimos dois anos. Marzuki Darusman lembra que em 2013, a Comissão de Inquérito apresentou um relatório sobre a nação asiática ao Conselho de Direitos Humanos.

Segundo ele, é lamentável que a situação não tenha melhorado no país, e crimes contra a humanidade continuam sendo cometidos. Darusman terminou sua última missão oficial ao país vizinho, a Coreia do Sul, já que seu mandato termina em março de 2016.

Justiça

O relator está na função desde 2010 e nenhum dos vários pedidos que fez para entrar na Coreia do Norte foi atentido. Por isso a alternativa sempre tem sido visitar a capital da nação vizinha, Seoul, onde Darusman conversou com especialistas e norte-coreanos que conseguiram fugir do país.

Nessa última missão, Darusman discutiu questões ligadas à justiça de transição, um conjunto de medidas para combater abusos de direitos humanos. O relator explicou que essas discussões precisam ser aprofundadas para que a justiça de transição se adapte à situação única na península coreana.

Perseguição

Marzuki Darusman também está desapontado com um tratado de extradição assinado pela Rússia com a Coreia do Norte. Ele disse que apesar da garantia da Rússia de que o tratado não será usado para retornar nenhuma pessoa que corre risco de perseguição, o relator teme que a medida possa facilitar o repatriamento forçado de norte-coreanos.

Na Coreia do Sul, Darusman teve a oportunidade de se encontrar com famílias que haviam sido separadas pela Guerra da Coreia. Muitos já estão idosos e o relator disse ser difícil imaginar o sofrimento psicológico sofrido por essas famílias.

Relatório Final

Ele explicou que a separação de famílias deve ser reconhecida como uma violação de direitos humanos, um problema que continua afetando civis das duas Coreias. Sobre encontros que teve com jovens, o relator disse que a nova geração pode contribuir para uma possível reunificação.

Marzuki Darusman agradeceu a contribuição prestada pelo governo da Coreia do Sul nos últimos cinco anos. Em janeiro, ele visitará o Japão e depois apresenta seu relatório final ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em março.

 

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
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