Moçambique: ONU Mulheres apoia 16 Dias de Ativismo pelo fim da violência

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País atendeu 16 mil casos de vítimas de violência entre janeiro a setembro deste ano; campanha da ONU Mulheres com o governo moçambicano está orçada em  US$ 1,5 milhões.

16 Dias de Ativismo pelo fim da violência contra mulheres e raparigas. Foto: ONU Mulheres Moçambqiue

Ouri Pota, da Rádio ONU em Maputo. 

Sob lema "Basta de violência! Cultive a paz em casa, comunidade e sociedade", a ONU Mulheres e o governo moçambicano iniciam, neste 25 de novembro, em Tete, os 16 Dias de Ativismo pelo fim da violência contra mulheres e raparigas.

O Ministério do Género, Criança e Ação Social está a cargo da campanha nacional que arranca oficialmente na província de Tete, no centro do país. Na região, 33% de mulheres sofreram algum tipo de violência.

Mobilização

Falando a jornalistas, a representante da ONU Mulheres, Florence Raes apelou ao esforço conjunto no combate à violência. A iniciativa visa reforçar a mobilização educativa sobre a erradicação de violência e garantia dos direitos das mulheres e raparigas.

"Se nós juntarmos esforços todos para combater, prevenir e dizer que na verdade não se tolera qualquer tipo de violência, não chegaremos lá. É um fenómeno global que para as Nações Unidas infelizmente trabalha-se em todos países, porque não é uma questão de país com crescimento maior ou menor, do Norte ou do Sul, infelizmente é fenómeno transversal que toca as estruturas sociais, as mentalidades e ao patriarcado".

Ativismo

Já o vice-ministro do Género, Criança e Ação Social, Lucas Mangrasse, considerou que o ativismo pelo fim da violência contra a mulher e rapariga deve ser contínuo.

"É necessário que este mal supere para que todos nós gozemos dos mesmos direitos. Estes 16 dias poderão não ser suficientes, mas eles terão um impacto importante já que eles envolvem vários debates com vários atores envolvidos, no combate, a este mal para que de facto os 16 Dias de Ativismo sejam úteis e possam produzir os efeitos que nós prevemos".

Num país onde foram reportados 16 mil casos de vítimas de violência entre janeiro a setembro deste ano, a falta de dados estatísticos é uma das preocupações da ONU Mulheres.

Florence Raes cita o tabu como um dos elementos que dificultam no registo de casos de abusos.

Atendimento

"Sem as denúncias não podemos juntos encaminhar as soluções. Então o primeiro elemento em termos de dados é que se estima globalmente que mesmo que possamos avançar dados, isso nem chega a metade das raparigas e mulheres que sofreriam algum tipo de violência, porque não se denuncia, porque tem um tabu… por mais que tenha gabinete de atendimento e serviços, mesmo insuficientes, a denúncia é muito importante".

Este ano, Moçambique registou uma redução de 2 mil casos de pessoas vítimas de violência. A informação foi data pelo vice-ministro do Género, Criança e Ação Social.

Campanha

"Neste ano, no período de janeiro a setembro foram atendidas cerca de 16 mil vitimas, contra os 18 mil casos do mesmo período em 2014. Isto pode parecer que há uma descida não significativa, mas também pode ser uma descida significativa tendo em conta os esforços que são realizados em diferentes setores da sociedade"

A campanha dos 16 Dias de Ativismo sobre a violência contra mulheres e raparigas foi instituída pelas Nações Unidas em 2001.

Com a iniciativa, orçada em  US$ 1,5 milhão,  pretende-se reforçar a mobilização educativa sobre a erradicação de violência e garantir os direitos humanos das mulheres e das raparigas.

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