Em países lusófonos, Onusida quer atenção renovada para acabar com HIV

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Vice-chefe da agência disse que jovens têm expectativas irreais sobre fim da epidemia; falando à Rádio ONU, Luiz Loures disse que Angola pode ter “epidemia importante” como Moçambique; avanços de Brasil e Portugal trazem otimismo.

Onusida disposta a apoiar países de língua portuguesa. Foto: Onusida.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O diretor executivo adjunto do Programa Conjunto da ONU sobre o HIV/Sida, Onusida, disse haver muito trabalho a ser feito em países de língua portuguesa para eliminar a epidemia.

Luiz Loures falou esta terça-feira à Rádio ONU, de Berlim, uma das cidades onde foi lançado o relatório intitulado "No progresso rápido para acelerar o fim da sida em 2030 – Foco na localização e na população".

Resposta 

“Têm epidemias importantes, como Moçambique, e países que podem ter epidemias importantes como Angola. Tem que se renovar atenção à sida nesses países. Existe uma base forte. Vejo de uma forma otimista, países como o Brasil e Portugal têm uma resposta à sida hoje entre as mais avançadas do mundo. Não existe uma razão para que outros países de língua portuguesa não avançarem da mesma forma. A unidade entre esses países para levar a essa epidemia ao fim é parte da estratégia. Como Onusida, nós estamos dispostos a apoiar qualquer medida sob ponto de vista de cooperação para levar essa epidemia ao fim.”

O documento lançado pelo Onusida revela exemplos de abordagens inovadoras de mais de 50 comunidades, cidades e países para alcançar as pessoas com serviços para prevenir e tratar o HIV.

O representante destacou que os lusófonos precisam ser pragmáticos na prevenção, principalmente nos mais jovens que não viram a epidemia no seu auge. Ele disse que “a expectativa irreal” que a doença acabou pode ser mortal.

Tratamento e Prevenção 

“Fundamentalmente expandir o acesso ao teste pelo HIV, esse é um desafio principal hoje. Sabemos que a pessoa que trata cedo não transmite e quanto mais cedo ela tratar melhora o impacto clínico e do ponto de vista de sobrevida. Uma pessoa que trata cedo vai ter uma vida como uma pessoa que não tem o vírus. Esse é desafio extremamente importante, mas existem outros aspetos como, por exemplo, a prevenção.”

Moçambique, Portugal e Brasil

O relatório destaca Moçambique por ter aumentado, de cerca de 15%, a cobertura de tratamento para mais de 40% entre 2010 e 2014. Mas o país está entre as 10 nações da África Oriental e Austral onde ocorreu cerca da metade das novas globais infeções pelo vírus no período.

Portugal é citado no documento por ter descriminalizado o uso de quantidades de drogas ilícitas em pequenas quantidades, uma medida associada à redução na prevalência do HIV em prisões, tal como na Holanda e na Suíça.

O Brasil está entre os países de baixa e média renda que conseguiram suprimir o vírus em mais de 80% das pessoas que recebiam tratamento antirretroviral. O mesmo ocorreu em Laos, na Malásia, no México e na Moldávia.

Tratamento

Luiz Loures. Foto: Onusida.

O caso brasileiro foi igualmente citado pelo tratamento de pessoas que após terem uma relação sexual casual recearam ter contraído o vírus. A chamada profilaxia pré-exposição teve uma taxa de aceitação de 50%. A meta é que se chegue a tratar 3 milhões por ano, com foco em pessoas de alto risco.

O Brasil foi igualmente mencionado pela oferta de serviços abrangentes de prevenção e de tratamento do HIV nos cuidados de saúde universal. O país foi o primeiro a dar tratamento combinado gratuito para o vírus.

O Onusida disse que todos as nações preparam-se para duplicar o número de pessoas com acesso ao tratamento do HIV até 2020.

Novas Infeções

De acordo com a agência, para acabar com a sida como uma ameaça à saúde pública é preciso uma resposta acelerada e mais focada com uso de dados melhores. A ideia é mapear e chegar às pessoas em lugares onde ocorre a maioria das novas infeções pelo HIV.

Em 2014, estimativas da  Onusida apontavam para uma queda de 35% nas novas infeções pelo vírus, comparado ao pico de 2000. As mortes relacionadas à condição caíram 42% desde o seu auge em 2004. No fim do ano passado 36,9 milhões de pessoas viviam com o HIV.

O alvo 90-90-90 pretende garantir o tratamento de 90% de pessoas vivendo com o HIV, que 90% das pessoas que conhecem o seu estado positivo estejam em tratamento e 90% das pessoas em tratamento tenham a carga viral indetetável.

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