Crise na Síria é "crônica de oportunidades perdidas", diz subsecretário-geral

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Chefe humanitário da ONU afirmou que Conselho de Segurança e comunidade internacional perderam chances de acabar com conflito; segundo Stephen O'Brien, 4,5 milhões de pessoas estão em áreas de difícil acesso na Síria e quase metade vive sob o "terror e o controle do Isil".

Campo de Tesreen Camp, em Alepo, na Síria. Foto: Ocha/Josephine Guerrero

Leda Letra, Laura Gelbert & Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.

O Conselho de Segurança debateu na tarde desta segunda-feira a situação humanitária na Síria. O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários disse que em outubro, centenas de civis foram assassinados ou feridos em ataques no país.

Stephen O'Brien condenou o uso de armas e de explosivos em áreas povoadas e mencionou vários ataques aéreos num mercado na área rural de Damasco, ocorridos no mês passado e que deixaram 60 mortos.

Oportunidades Perdidas

Ao mencionar os ataques recentes do Isil na França e no Líbano, O'Brien declarou que "a crise síria é uma crônica de oportunidades perdidas pelo Conselho de Segurança e pela comunidade internacional para acabar com o conflito".

Quase cinco anos após o início dos confrontos na Síria, o chefe humanitário da ONU lamentou que "atrocidades inimagináveis continuam sendo cometidas diariamente, colocando os cidadãos do país numa escuridão profunda".

Carnificina

Pelo menos 250 mil pessoas já morreram no país desde 2011. Mais de 13 milhões de sírios abandonaram suas casas e estão desalojados e mais de 4 milhões estão refugiados em outros países.

Para O'Brien, o Isil e outros grupos terroristas continuam causando "carnificina" na Síria, em ataques que podem ser considerados "crimes de guerra".

Centros de saúde também continuam sendo alvo da violência. A cobertura de saúde no país, incluindo vacinações de rotina,  caiu de 95% em 2010 para 64% este ano, mas em algumas localidades, o índice chega a 20%.

Terror

Segundo o subsecretário-geral, 4,5 milhões de pessoas estão em áreas de difícil acesso na Síria e quase metade vive sob o "terror e o controle do Isil". Nessas áreas, nem a ONU, nem parceiros conseguem levar itens de ajuda humanitária.

Stephen O'Brien também lembrou de quase 400 mil pessoas que estão sitiadas ou pelo Isil ou pelo governo da Síria. Neste ano, a ONU conseguiu fornecer cuidados de saúde a apenas 3,5% dessa população e comida para apenas 0,7%.

Acesso

O chefe humanitário das Nações Unidas fez um apelo para que seja autorizada a passagem de comboios e afirmou a esperança em progressos que resultem no fim do conflito em 2016.

Já a representante do secretário-geral sobre Violência Sexual em Conflito, disse que para lidar com a violência na Síria e na região é preciso um esforço unificado, abrangente e que envolva vários setores.

Violência Sexual

No Conselho de Segurança, Zeinab Bangura falou de ataques sofridos por mulheres e meninas no conflito em diversos locais, como postos de fronteira ou de controle, buscas domiciliares ou centros de detenção.

Esses episódios podem acontecer tanto em “áreas sob controle do governo, do Isil e dos vários grupos armados”.

Como medidas para acabar com o problema, Bangura propões, entre outras, a proteção e o empoderamento das mulheres tendo em conta as ações para prevenir o extremismo violento e o terrorismo.

Outras propostas incluem reforçar o apoio e os serviços para os sobreviventes de violência sexual e o aumento da informação, análise e documentação sobre a violência sexual.

Por fim, a representante pediu "esforços incansáveis" para a prestação de contas através de investigação e punição a crimes de violência sexual.

Crianças

A representante especial da ONU para Crianças e Conflitos Armados, Leila Zerrougui, também participou do debate no Conselho de Segurança.

Ela afirmou que o conflito na Síria continua a ter "consequências humanitárias desastrosas" para os menores.

Para a especialista o crescente número de refugiados e deslocados demostra a piora da situação. Zerrougui destacou que metade da população síria está desalojada no momento e, destes, metade são crianças.

A representante especial citou estimativas de que cerca de 10 mil menores mortos em 2014, mas que estes números devem ter subido em 2015.

Segundo Zerrougui, a maioria das crianças morreu ou sofreu ferimentos em ataques indiscriminados em áreas civis, cometidos por todas as partes em conflito, em violação ao direito internacional.

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