Burundi: UIP pede a Parlamento para ser “parte da solução e não um problema”

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Secretário-geral fala de pessoas mortas diariamente aparentemente por motivos políticos; comunicado apela ao trabalho urgentes para curar as divisões políticas e étnicas no país africano dos Grandes Lagos.

Cerca de 280 mil pesoas deixaram as suas casas desde os protestos iniciados há oito meses. Foto: Phil Moore/Irin.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A União Interparlamentar, UIP, lançou esta quarta-feira uma nota na qual destaca a necessidade de o Parlamento do Burundi e os seus membros serem “parte de uma solução nacional e não um problema”.

A entidade pediu ao órgão legislativo que não frustre as expectativas do seu povo ou o dever de representar e proteger toda a sociedade perante “a preocupação global com a situação cada vez mais preocupante no país”.

Fronteiras

O secretário-geral da UIP quer o “fim imediato de meses de violência e do clima de medo”, após a crise política.

Segundo a ONU, 240 pessoas foram assassinadas e outras cerca de 280 mil abandonaram as suas casas desde março, quando iniciaram os protestos após o anúncio da candidatura do presidente Pierre Nkurunziza ao terceiro mandato.

Em entrevista à Rádio ONU, de Genebra, Martin Chungong considerou a situação burundesa de “inquietante e difícil”.

O representante citou relatos de corpos despejados nas ruas todos os dias de pessoas aparentemente mortas por razões políticas.

O chefe da UIP expressou preocupação particular com os relatos de incitação à violência contra a oposição política no Burundi.

Direitos Humanos

Esta semana, o  Conselho de Segurança realizou uma sessão especial sobre o país na qual o alto comissário para os Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, disse haver centenas de casos de detenção de opositores do governo, jornalistas e defensores dos direitos humanos.

O chefe da UIP afirmou que “o Parlamento e os parlamentares têm a responsabilidade única de representar toda a sociedade e abordar as suas preocupações”.

Quanto aos deputados, a entidade considera que estes “não têm nenhum papel a desempenhar para incitar o ódio, a divisão ou a violência contra qualquer segmento da sociedade”.

Oposição

Chungong disse que devido ao historial do país, o órgão e os seus líderes devem trabalhar com urgência com vista a curar as divisões políticas e étnicas para que o país possa “retornar da beira do abismo” que enfrenta.

Para o líder da UIP essa atuação deve permitir que as pessoas recuperem a fé na sua instituição política.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 18 DE DEZEMBRO DE 2017
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