Crise no Burundi pode tomar dimensão étnica, avalia alto comissário

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Zeid Al Hussein participou de reunião no Conselho de Segurança sobre país africano; 240 pessoas foram assassinadas e milícia "aterroriza" a população; Zeid sugere possibilidade de se congelar bens dos envolvidos nos confrontos.

Zeid Al Hussein. Foto: Unifeed.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

O Conselho de Segurança da ONU promoveu um debate na tarde desta segunda-feira em Nova York sobre a situação no Burundi. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, que está em Genebra, participou do encontro por videoconferência.

Zeid Al Hussein disse que o próprio Conselho pode interferir para evitar a "repetição de horrores do passado". Segundo ele, a capital Bujumbura tem registrado aumento dos casos de assassinatos extrajudiciais, muitos por motivos políticos.

Detenções

O alto comissário afirmou que 240 pessoas foram assassinadas desde março, quando os protestos começaram. Zeid falou de "corpos despejados nas ruas quase que diariamente" e de centenas de casos de detenção de opositores do governo, jornalistas e defensores dos direitos humanos.

O chefe de Direitos Humanos da ONU explicou que a milícia Imbonerakure, associada ao partido que está no poder, "continua aterrorizando a população, muitas vezes em colaboração com a polícia e com total impunidade".

Para Zeid Al Hussein, o governo precisa desarmar a milícia e garantir que policiais e outros responsáveis por violações de direitos humanos sejam julgados.

Desalojados 

Com medo da violência, os civis abandonam suas casas e muitos deixam o país. Já são mais de 280 mil deslocados internos e refugiados na região dos Grandes Lagos.

Zeid lamentou que, para piorar a situação, grupos armados recrutam pessoas dentro dos campos de refugiados em países vizinhos. Agentes do governo do Burundi também circulam para identificar opositores.

O alto comissário citou que "relatos de membros do governo sugerem que a crise pode tomar uma dimensão étnica". A linguagem utilizada por alguns líderes políticos "sinaliza a iminência de mais violência no país".

Congelar Bens

O representante também disse que o Conselho de Segurança tem a responsabilidade de lidar com "uma situação que causa profunda preocupação e que pode resultar em mais carnificina".

Zeid Al Hussein fez um apelo ao Conselho, para que coloque o Burundi no topo da agenda e explore todas as opções para prevenir a escalada da situação, incluindo a possibilidade de congelar bens e viagens daqueles envolvidos em atos de violência".

Ele afirmou que as mortes, o colapso econômico, o aumento das pessoas famintas e o deslocamento em massa de civis ameaçam a paz e a estabilidade do do Burundi e da região.

Aos países vizinhos dos Grandes Lagos, Zeid fez um pedido em prol da promoção de um diálogo político confiável e inclusivo e para que garantam que suas fronteiras não sejam utilizadas por elementos que buscam aumentar o conflito.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 8 DE DEZEMBRO DE 2017
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