Agências da ONU falam de oportunidade de visita do papa aos centro-africanos

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Acnur disse que grupos ligados ao conflito devem reconstruir processo de reconciliação nacional; confrontos mataram pelo menos 13 pessoas em novembro;  chefe humanitário teme que emergência se transforme em crise humanitária esquecida.

Digressão africana do papa Francisco. Foto: Pnuma

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, pediu aos grupos rivais da República Centro-Africana que aproveitem a oportunidade da visita papal à capital Bangui para reconstruir o processo de reconciliação nacional.

Prevê-se que o papa Francisco chegue à maior cidade do país no domingo, na que será a última etapa da digressão africana do chefe da Igreja Católica que também incluíu o Quénia e o Uganda.

Mais Deslocados

De acordo com a agência da ONU, a onda de violência na República Centro-Africana aumentou para 44,5 mil o número de deslocados internos desde setembro. O número corresponde a uma subida de 18%.

O Acnur reconhece que a situação está atualmente “calma, mas tensa” na capital centro-africana, mas revela preocupação com surtos de violência que fizeram “recuar os frágeis esforços para restabelecer uma paz duradoura e colocaram em risco eleições previstas para o final de dezembro” no país.

O coordenador humanitário da ONU no país disse que mais de 2,3 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária, após o conflito de três anos. Aurelién Agbénonci disse que os centro-africanos precisam de mais apoio perante uma emergência que se está a tornar outra crise humanitária esquecida.

O Fundo da ONU para a Infância, Unicef destacou inúmeras necessidades que para serem abordadas carecem de acesso e maior apoio internacional. Estima-se que 1,2 milhão de menores centro-africanos precisem de apoio urgente.

Movimentação

Desde setembro, dezenas de pessoas morreram, centenas de casas foram destruídas. Mais de 70 mil centro-africanos foram obrigados a fugir das suas casas devido à violência. Essa movimentação “reverteu o padrão de retornos” observado este ano em grande parte do território centro-africano.

As eleições presidenciais e legislativas foram adiadas de 18 de outubro para 27 de dezembro. O Acnur refere que a divisão sectária e as tensões intercomunitárias tornaram-se mais agudas após setembro.

Novembro registou a morte de pelo menos 13 pessoas, incluindo um soldado de paz das Nações Unidas em Bangui.

Mortos e Feridos

Cerca de 800 abrigos de deslocados e 120 casas também foram destruídos nas cidades de Bambari e Batangafo, em confrontos armados e ataques que fizeram centenas de feridos em áreas que acolhem deslocados internos.

As vítimas foram abrigadas em locais que incluem instalações da Missão de paz da ONU que recebem apoio de organizações humanitárias internacionais. De acordo com o Acnur, a maioria das pessoas escondeu-se no mato.

A outra parte atravessou o rio Oubangui para a República Democrática do Congo, onde nas primeiras três semanas de novembro foram registados 1.236 refugiados na província de Equador.

Civis

Depoimentos recolhidos pelo Acnur mencionam deslocados que fugiram de ataques retaliatórios de grupos armados, que também têm como alvo a população civil. Nas ações foram destruídas casas, saqueados bens e assassinados familiares das pessoas perseguidas.

Com algumas incursões fronteiriças dos atacantes, os refugiados pediram para ser acomodados mais longe da fronteira entre os dois países.

Apoio Psicossocial

A onda de deslocamentos criou necessidades de proteção, de abrigo de emergência, de cuidados de saúde, de apoio psicossocial bem como de água e saneamento.

Há áreas donde a situação dos civis preocupa mais, como o bairro de PK5 em Bangui. A região tem locais sitiados que resultaram num menor acesso à ajuda desde o início da violência há dois meses.

Pelo menos 10 organizações tiveram seus escritórios e armazéns saqueados e atacados num desenvolvimento que o Acnur considera preocupante. A agência reitera o seu apelo para a garantia do acesso humanitário e a proteção dos trabalhadores do setor que tentam chegar aos mais vulneráveis.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 14 DE DEZEMBRO DE 2017
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