Acnur pede ação urgente para lidar com problema das crianças apátridas

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Relatório da agência da ONU mostra que esses menores compartilham sentimentos de discriminação, frustração e desespero; especialistas citam sérios impactos psicológicos.

António Guterres. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, quer uma ação urgente para lidar com o problema das crianças apátridas.

A agência da ONU afirmou que muitas das dezenas de crianças entrevistadas em sete países disseram que se consideram "invisíveis", "extraterrestres" ou "um cachorro de rua".

Sombras

Elas disseram ainda que se sentem como se "vivessem nas sombras" e como se não "valessem nada".

Essas declarações constam do relatório "Eu Estou Aqui, Eu Pertenço: A Necessidade Urgente de Acabar com a Infância Apátrida" lançado esta terça-feira pelo Acnur.

O alto comissário, António Guterres, declarou que o "relatório reafirma a necessidade de se pôr um fim ao sofrimento desses menores num mundo onde uma criança nasce sem uma cidadania a cada 10 minutos".

Segundo Guterres, "no pequeno período onde a criança pode ser criança, a situação pode se solidificar e criar problemas que vão assombrá-las durante toda a infância".

O chefe do Acnur afirmou que esta situação pode sentenciar esses menores de idade a uma vida de discriminação, frustração e desespero. Segundo ele, "nenhuma criança deveria ser apátrida. Todas elas devem pertencer a algum lugar".

Vida Saudável

Mais de 250 pessoas, incluindo crianças, jovens e pais ou responsáveis foram entrevistados pela agência na Côte d'Ivoire, ou Costa do Marfim, Geórgia, Itália, Jordânia, Malásia, República Dominicana e Tailândia entre julho e agosto deste ano.

O primeiro relatório geograficamente diverso preparado pela agência sobre o assunto mostrou o sentimento das crianças apátridas. Os problemas que elas enfrentam afetam a habilidade de aproveitar a infância, ter uma vida saudável, estudar e alcançar suas ambições.

As crianças falaram sobre os desafios enfrentados durante o período de crescimento, geralmente à margem da sociedade e sem os direitos que a maioria dos cidadãos possui.

Elas disseram que são tratadas como estrangeiras no país em que viveram toda a vida.

Universidade

Geralmente as crianças apátridas não têm oportunidade de receber um ensino de qualidade, frequentar uma universidade ou encontrar um emprego decente.

Segundo o relatório, elas enfrentam discriminação e assédio pelas autoridades e estão mais vulneráveis à exploração. A falta de uma nacionalidade as sentenciam, junto com suas famílias, a permanecerem pobres e marginalizadas por gerações.

O Acnur alerta que essa situação ameaça o futuro desses jovens. A agência quer que mais países participem da campanha lançada em novembro do ano passado para acabar com o problema das crianças apátridas.

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