Zeid: 98% dos crimes no México permanecem sem solução

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Em sua visita ao país, alto comissário da ONU para Direitos Humanos citou estatísticas oficiais que dizem que a "grande maioria nem é investigada de forma adequada"; mais de 150 mil pessoas foram mortas no México entre dezembro de 2006 e agosto de 2015.

Existem 26 mil pessoas desaparecidas no México. Foto: Jeca Taudte

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

O alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, encerrou sua visita ao México nesta quarta-feira e mencionou dados sobre a situação no país.

Citando estatísticas oficiais, ele disse que "98% de todos os crimes no México permanecem sem solução, com a grande maioria sem nem ser investigada de forma adequada".

Insegurança 

Para o alto comissário, não é, portanto, "surpreendente que os cidadãos do México se sintam inseguros, apesar da queda nos índices de homicídio e sequestro", o que ele saudou.

Zeid afirmou que para um país que não está envolvido em um conflito, os números estimados "são simplesmente estarrecedores: 151.233 pessoas mortas entre dezembro de 2006 e agosto de 2015, incluindo milhares de migrantes em trânsito".

Desaparecidos

Ele citou ainda 26 mil pessoas desaparecidas, muitas, acredita-se, como resultado de desaparecimentos forçados desde 2007. Milhares de mulheres e meninas sofrem violência sexual ou se tornam vítimas de feminicídio. E segundo, Zeid, "dificilmente alguém é condenado" pelos crimes que ele citou.

O alto comissário disse que parte da violência é de responsabilidade do que chamou de "poderosos e implacáveis" grupos de crime organizado do país, e condenou suas ações "sem reserva".

Corrupção

No entanto, ele afirmou que muitos "desaparecimentos forçados, atos de tortura e mortes extrajudiciais foram supostamente causadas por autoridades federais, estaduais e municipais, incluindo a polícia e alguns segmentos do exército, quer agindo em seus próprios interesses ou em conluio com grupos criminosos organizados".

O alto comissário afirmou que o "impacto corrosivo devastador do crime organizado e enormes quantias de dinheiro que estas gangues comandam estão corrompendo instituições chave e, em algumas áreas, reduzindo o impressionante conjunto de leis do México em meras palavras no papel".

Zeid afirmou ainda que a combinação de "medo, cobiça e impunidade crônica é potente".

Estudantes

Ele citou uma "sucessão de recentes incidentes específicos" que chamaram "considerável atenção internacional" e causaram preocupação.

Entre eles, o alto comissário destacou o caso do desaparecimento forçado de 43 estudantes em Iguala, no estado de Guerrero, e a morte de seis outros.

Para Zeid, o caso é um "microcosmo dos problemas crônicos por baixo da implacável onda de violações de direitos humanos ocorrendo no México. Em particular, destaca a prevalência da impunidade e desrespeito pelas vítimas que afeta todo o país".

Ele disse que o caso também destaca "a fraqueza da polícia, incluindo seu frequente envolvimento direto" nos próprios crimes.

Recomendações

O alto comissário afirmou que vai enviar uma lista de recomendações ao governo mexicano, mas destacou algumas medidas, entre elas, a necessidade de garantir que as violações de direitos humanos sejam investigadas de forma adequada, levando a resultados.

Zeid mencionou a visita ao país de sua antecessora, Navi Pillay, há quatro anos. Ele afirmou que desde então houve "desenvolvimentos legislativos significativos" e que no plano internacional, o México tem sido um "leal apoiador" dos direitos humanos.

No entanto, apesar destes avanços, o alto comissário afirmou que muitas das questões levantadas por sua antecessora, continuam sendo preocupantes.

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