Vírus do ébola pode continuar no sémen de sobreviventes até nove meses

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Estudo recomenda que seja prevenida a exposição ao vírus em parceiros de homens que tiverem ficado doentes; sobreviventes devem abster-se de relações sexuais ou praticar sexo seguro até testarem negativo por duas vezes.

Estudo recomenda medidas para evitar exposição potencial dos parceiros. Foto: OMS Serra Leoa/S. Gborie

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O vírus de ébola pode ser encontrado no sémen de sobreviventes até nove meses depois de terem apresentado os sintomas.

A constatação é de um estudo preliminar sobre a persistência do vírus em fluídos corporais, que foi publicado esta quinta-feira no boletim médico New England Journal of Medicine.

Primeira Fase

A pesquisa a longo prazo envolve a Organização Mundial de Saúde, OMS, o Ministério da Saúde e Saneamento e o Ministério da Defesa da Serra Leoa além do Centro Norte-Americano para Controlo e Prevenção de Doenças.

Na primeira fase, o foco dos cientistas foi para os testes do ébola no sémen, pelo facto de pesquisas anteriores terem mostrado a sua persistência nesse fluido do corpo.

Efeitos

O representante especial da diretora-geral da OMS para a Resposta ao Ébola disse que os resultados vêm num momento de importância significativa. Bruce Aylward lembrou que o número de casos continua a baixar e que os sobreviventes e as suas famílias lutam com os efeitos da doença.

Desde o inicio do surto, foram registados 28.454 doentes e 11.297 mortos devido ao ébola. De acordo com a mais recente atualização da OMS, até quarta-feira não houve casos confirmados pela segunda semana consecutiva.

Para Aylward, o estudo fornece mais evidências de que os sobreviventes precisam de apoio contínuo e substancial nos próximos seis a 12 meses para atender aos desafios e garantir que os parceiros não estejam expostos ao vírus em potencial.

Material Genético

O estudo envolveu 93 homens com mais de 18 anos da capital da Serra Leoa Freetown, para detetar a presença de material genético do ébola nos fluídos.

No primeiro trimestre depois de terem ficado doentes, todos os testes deram positivo para os homens que tiveram amostras analisadas durante o período.

Entre os que já tinham ficado doentes entre quatro a seis meses a proporção diminuiu a 65%. Entre os que tinham testado positivo entre sete a nove meses   a presença do ébola baixou para 26%.

Testes Regulares

De acordo com o estudo, os mais de 8 mil homens sobreviventes de ébola na Serra Leoa, na Libéria e na Guiné Conacri precisam de educação adequada, aconselhamento e testes regulares para saber se o vírus continua no seu sémen.

A recomendação é que estes tomem medidas para evitar a exposição potencial dos parceiros ao ébola. Até que o sémen de um sobrevivente seja testado negativo por duas vezes, este deve “abster-se de todos os tipos de relações sexuais ou usar preservativos ao envolver-se em atividade sexual”.

A pesquisa recomenda ainda a lavagem das mãos após qualquer toque físico com sémen.

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