Relatório revela oportunidades para desenvolver infraestruturas em África

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Documento foi lançado na Semana de África na ONU; estudo destaca progresso gradual do investimento brasileiro nos países lusófonos africanos; país tem uma presença de 15,9%  no continente depois da China.

Ponte Ha Makhoathi, no Lesoto. Foto: John Hogg / Banco Mundial

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Um novo relatório das Nações Unidas sobre a criação de infraestruturas em África destaca que o papel dos chamados sete parceiros novos e emergentes é uma “grande oportunidade” para o continente.

O documento publicado, esta segunda-feira, em Nova Iorque menciona várias vantagens que incluem a possível expansão do investimento na área, o foco geográfico, a orientação no setor e os projetos nos países beneficiários.

Agenda Política

As economias parceiras são Brasil, China, Índia, Coreia, Malásia, Rússia e Turquia. O estudo recomenda uma agenda política africana que possa maximizar os resultados positivos e minimizar os negativos.

O Brasil é o segundo maior participante desse grupo no continente, segundo o estudo Desenvolvimento de Infraestrutura no Âmbito da Cooperação de África com Novos e Emergentes Parceiros de Desenvolvimento.

Infraestruturas

Desde o ano 2000, a intervenção brasileira na infraestrutura africana é garantida com 38 projetos o que correspondente a uma presença de 15,9%. A liderar está a China, com 59% do total de infraestruturas em África.

O estudo destaca haver poucas evidências de agregação de valor da ajuda brasileira, no comércio e no investimento direto estrangeiro “embora haja alguma sinergia em alguns casos”.

Um exemplo é a presença de firmas brasileiras em Moçambique que operam na área de recursos com infraestrutura económica que “atende parcialmente às necessidades de recursos nesses investimentos”.

Brasil e Lusófonos Africanos

O documento defende haver um forte crescimento das exportações do Brasil para a África em termos de equipamentos de construção.  O país regista uma grande interação com grandes economias como África do Sul e Nigéria.

O estudo sublinha um progresso gradual da concentração brasileira nos lusófonos africanos Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Princípe em direção a um envolvimento mais amplo com o continente.

De 2000 a 2011, as exportações brasileiras para a África aumentaram de US$ 1,34 mil milhões para US$ 12,03 mil milhões.

China-África

A publicação revela que o envolvimento chinês nas infraestruturas em África é de 59% do total. As exportações do maior investidor no continente evoluiu de US$ 5 mil milhões em 2000 para US$ 72 mil milhões em 2011.

O estudo aponta para o facto de que “enquanto a China tem uma estratégia para África, África carece de uma estratégia para a China”.

Empréstimos

Como exemplo é sublinhado o chamado “modo Angola”, para ilustrar como a China garante contratos com economias ricas em recursos do continente para suas firmas em troca de empréstimos em condições favoráveis.

Nesses acordos, os fornecedores, os empregados e o acesso aos recursos essenciais a longo prazo como o petróleo são da China.

Crescimento Robusto

O relatório aponta haver poucos exemplos onde os países africanos respondem com uma abordagem semelhante.

Como primeira vantagem do momento atual é citada a possibilidade de crescimento robusto perante o ambiente global e o poder de oferta de matéria-prima num momento em que crescem as limitações da oferta.

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