Quase 400 mil sírios estão vivendo em áreas sitiadas pelo Isil ou governo

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Segundo subsecretário-geral da ONU, lados em conflito continuam usando isolamento dos civis como arma de guerra; Stephen O'Brien revela que situação no país piorou desde janeiro; 13,5 milhões de pessoas precisam de ajuda dentro do país.

Stephen O’Brien no Conselho de Segurança. Foto: ONU/Rick Bajornas

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

A situação humanitária da Síria foi discutida pelo Conselho de Segurança na manhã desta terça-feira. O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários participou da reunião e afirmou que a situação na Síria piorou desde o começo do ano.

Stephen O'Brien afirma que 13,5 milhões de pessoas no país precisam de algum tipo de proteção ou de assistência, 1,2 milhão a mais do que há 10 meses. Segundo ele, mais de 6 milhões são crianças.

Cerco

Além disso, 4,2 milhões de civis optaram por fugir do país e buscaram refúgio em outras nações. O'Brien informou que 50% das pessoas que atravessam o Mediterrâneo de barco são sírios.

O subsecretário-geral disse que os lados em conflito na Síria continuam usando o cerco como arma de guerra. Após uma revisão completa de dados, O'Brien disse que quase 400 mil sírios estão vivendo sitiados no país.

Cerca de 200 mil estão isolados pelo Isil em Deir-ez-Zor; outros 181 mil sitiados pelo governo  em várias áreas, incluindo a zona rural de Damasco e 12,5 mil pessoas estão sitiadas por grupos armados da oposição.

Falta de Assistência

O acesso a áreas sitiadas continua insuficiente. Neste ano, as Nações Unidas conseguiram fornecer assistência de saúde a apenas 3,6% das pessoas isoladas e somente 0,5% recebeu comida todos os meses.

Com os recentes bombardeios no país, a ONU calcula que mais de 120 mil pessoas ficaram desalojadas no norte da Síria desde o começo do mês. Segundo Stephen O'Brien, continuam os ataques contra trabalhadores humanitários, hospitais e postos de saúde.

Comboio Humanitário

O representante da ONU disse ao Conselho de Segurança que as organizações humanitárias não conseguem acesso direto a milhões de pessoas na Síria e 4,5 milhões de civis vivem em áreas de difícil acesso.

Apesar dos esforços, O'Brien lamentou que a ONU e parceiros conseguiram ajudar neste ano apenas uma "pequena fração das pessoas que vivem nessas áreas, devido ao conflito, a obstáculos burocráticos e a condições impostas pelos lados em confronto".

Mas o subsecretário-geral lembrou que na semana passada, um comboio de caminhões entregou medicamentos, comida e outros itens a 29,5 mil sírios em várias regiões do país.

Missão

O'Brien informou que o Ministério das Relações Exteriores da Síria aprovou apenas 23 dos 85 comboios humanitários pedidos pela ONU neste ano. Segundo ele, a "missão é complexa, mostrando que onde há vontade política, há maneira de melhorar a situação dos civis afetados pelo conflito".

Outros números apresentados por Stephen O'Brien no Conselho de Segurança: mais de 11 milhões precisam de assistência de saúde (25 mil casos por mês); quase 9 milhões sem comida suficiente; 70% da população sem acesso à água potável; ataques contínuos contra escolas e hospitais; aumento da pobreza, do desemprego e dos preços dos produtos.

Stephen O'Brien voltou a dizer que a crise na Síria "pede, com urgência, uma solução política que resolva as causas do conflito" e ele espera que o órgão e os Estados-membros usem sua influência para ajudar resolver a situação.

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