Para Guterres, ignorar o Afeganistão seria "erro perigoso"

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Alto comissário da ONU para Refugiados pede à comunidade internacional que volte a atenção para o país; um a cada cinco habitantes já foi refugiado; 2,6 milhões de afegãos estão espalhados por 70 países, como Irã e Paquistão.

Meninos afegãos. Foto: Acnur/S. Phelps

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O alto comissário da ONU para Refugiados liderou nesta terça-feira, em Genebra, um reunião de alto nível sobre a situação dos refugiados do Afeganistão. António Guterres explicou que o país tem a crise de refugiados mais prolongada do mundo, sendo que juntos, Irã e Paquistão abrigam 95% dos afegãos.

Segundo Guterres, no auge da crise, há 30 anos, 6 milhões de civis abandonaram o Afeganistão – a maior situação de refugiados e de repatriamento voluntário que o Acnur já lidou.

Mais Atenção

Desde 2002, 5,8 milhões de afegãos retornaram ao país. E depois de 35 anos, 2,6 milhões de refugiados registrados continuam espalhados por 70 nações.

Guterres falou que a comunidade internacional precisa "olhar para uma situação que já não está recebendo a atenção merecida".

Estratégia

O alto comissário da ONU afirmou que "ignorar o Afeganistão seria um erro perigoso, apesar da urgência e da escala de outras crises mais recentes". Ele explicou que o repatriamento voluntário é a opção preferida dos civis que decidem voltar ao país.

Guterres disse que o Acnur e os governos do Afeganistão, do Irã e do Paquistão criaram juntos uma estratégia para os refugiados afegãos, mas que esse projeto precisa de mais apoio internacional.

O representante mencionou os ataques recentes em Kunduz ao dizer que a situação no país continua sendo um desafio. O Afeganistão tem 1 milhão de deslocados internos e muitos civis continuam abandonando a nação: 15% das pessoas que chegaram de barco à Europa este ano são afegãs.

Repatriamento

Ao mesmo tempo, 54 mil pessoas retornaram ao Afeganistão desde janeiro e um a cada cinco habitantes do país já foi refugiado. António Guterres avalia o plano de repatriamento e integração do presidente Mohammad Ghani como um "passo importante para garantir abrigo, serviços sociais e meios de subsistência" aos que retornam ao país.

O chefe do Acnur afirmou que é muito importante apoiar o Afeganistão neste momento. Ele também lembrou do Irã e do Paquistão, que abrigam juntos 2,5 milhões de afegãos registrados e um número estimado de 2 milhões que não têm registro, o que coloca muita pressão sobre os dois países.

Irã e Paquistão

No Irã, todas as crianças estrangeiras têm agora o direito a frequentar as escolas públicas e o Acnur calcula que 250 mil estudantes afegãos serão beneficiados pela nova política.

O governo iraniano também decidiu incluir todos os refugiados afegãos registrados no sistema nacional de plano de saúde. Já o Paquistão, segundo Guterres, está criando um novo plano para que o repatriamento voluntário seja feito com dignidade e em segurança.

Além de elogiar a "determinação" do governo afegão, o alto comissário destacou ser muito "importante reconhecer que o retorno eficaz dos refugiados ao país é funtamental para estabilizar toda a região".

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