ONU quer opção decente para somali estuprada que busca abrigo na Austrália

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Grávida de 15 semanas está em Nauru; ilha do pacífico acolhe migrantes detidos após tentarem obter abrigo em território australiano; Escritório de Direitos Humanos pede assistência física e mental adequada.

Estas vítimas geralmente não falam com medo de represálias. Foto: ONU/Martine Perret

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Escritório dos Direitos Humanos da ONU está em contacto com uma somali em “estado físico e mental muito frágil” e “profundamente traumatizada”, que foi violada em Nauru, para onde foi tranferida após tentar ter abrigo na Austrália.

A entidade da ONU pediu urgentemente uma opção decente para a vítima, para a qual usa o pseudónimo Abyan.

Assistência

O apelo feito tanto à Austrália como a Nauru é que ofereçam assistência física e mental adequada e que a refugiada interrompa a sua gravidez se esse for o seu desejo.

Abyan foi alegadamente estuprada em Nauru em julho e a sua gravidez tem 15 semanas. Ela foi transferida há 11 dias do território australiano para a ilha do pacífico onde são detidos migrantes, sem que a interrupção tivesse ocorrido.

De acordo com o escritório, a refugiada recusou-se a dar informações à polícia de Nauru sobre o agressor por temer represálias. A nota defende que ela não se sente segura porque o suposto atacante vive na pequena ilha com cerca de 10 mil pessoas.

Violência

O escritório manifestou preocupação com relatos da falha da polícia de Nauru  em tomar medidas contra os supostos autores de violência contra as mulheres, especialmente em caso de candidatas a asilo e refugiadas.

Desde o reinício da transferência de refugiados da Austrália para Nauru em 2012, o escritório disse estar a par de crescentes alegações de agressões e violações.

Tratamento

Um dos exemplos é o de uma iraniana alegadamente violentada sexualmente em maio. A vítima foi depois transferida para a Austrália, onde recebe tratamento médico para os danos físicos e mentais.  O seu irmão e mãe continuam em Nauru e não sabem se vão juntar-se a ela.

Em agosto, outra refugiada somali disse ter sido estuprada e a imprensa teve acesso a um  relatório policial “dado de forma inadequada”, com o nome e os detalhes sobre a acusação de estupro. Não houve qualquer prisão relacionada aos casos.

Condição

O escritório expressou muita preocupação com esta tendência e destaca que a impunidade para tais crimes graves aumenta o risco da sua repetição.

A maior inquietação é com candidatas a asilo e refugiadas que foram alegadamente estupradas ou abusadas sexualmente e deixadas em condições inseguras, devido à sua condição vulnerável e por estarem próximas dos atacantes.

Segundo a nota, estas tendem a ser estigmatizadas pela população e pela polícia de Nauru. O grupo geralmente não fala por temer represálias e tem “pouca ou nenhuma possibilidade” de ver a justiça a ser feita.

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