FAO: "proteções sociais são a forma mais rápida de acabar com fome"

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Relatório da agência da ONU diz que os programas beneficiam atualmente 2,1 bilhões de pessoas em países em desenvolvimento; especialistas querem expandir benefícios em áreas rurais para aumentar políticas agrícolas.

Funcionário entrevista jovem num centro para crianças sem-abrigo no Iêmen. Foto: Dana Smillie / Banco Mundial

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, afirmou que "a expansão das proteções sociais representa a forma mais rápida de acabar com a fome no mundo".

A conclusão consta do relatório "Estado da Agricultura e Alimentação 2015" lançado esta terça-feira em Roma.

Saída Econômica

O documento mostra que nos países mais pobres os programas sociais, como de transferência de dinheiro, alimentação escolar ou serviços públicos, oferecem uma saída econômica para as pessoas consideradas mais vulneráveis.

Segundo a FAO, esses benefícios são uma oportunidade para esse grupo sair da extrema pobreza e da fome e melhorar a saúde, a educação e a vida das crianças.

O relatório mostra que os programas sociais em vigor atualmente beneficiam 2,1 bilhões de pessoas em países em desenvolvimento de várias formas, inclusive mantendo 150 milhões fora da pobreza extrema.

Os especialistas explicam que ao expandir essas proteções sociais em áreas rurais e conectá-las a políticas de crescimento agrícola inclusivo será possível reduzir rapidamente o número de pobres no mundo.

Dieta Saudável

O chefe da FAO, José Graziano da Silva, afirmou que "os programas sociais permitem mais acesso à comida, diversificam a dieta fazendo com que ela seja mais saudável".

Graziano da Silva afirmou que essas proteções podem ter um impacto positivo nos bebês e na nutrição materna, como também na redução do trabalho infantil e no aumento do comparecimento escolar.

A FAO declarou que apenas 30% das pessoas mais pobres do mundo têm algum tipo de proteção social. As taxas mais baixas são encontradas no sul da Ásia e na África Subsaariana, regiões com alta incidência de extrema pobreza.

A agência da ONU diz que a maioria dos países, mesmo os mais pobres, pode oferecer algum tipo de benefício social. A organização calcula que são necessários, globalmente, US$ 67 bilhões ao ano, cerca de R$ 251 bilhões, para fornecer assistência social.

Os especialistas afirmam que esse montante representa menos de 0,1% do PIB mundial e vai ajudar a alcançar a meta de erradicar a fome até 2030.

Meninos jogam futebol num centro comunitário de Salvador, no Brasil. O relatório indica o programa brasileiro "Bolsa Família" como um bom exemplo. Foto: Mariana Ceratti / Banco Mundial

Bolsa Família

O relatório explica que atualmente as famílias mais pobres nas áreas rurais são obrigadas a vender os bens de produção que possuem e colocar as crianças para trabalhar.

Os programas sociais oferecem a elas a oportunidade de melhorar o potencial produtivo com efeito positivo na economia local.

A FAO informou que pelo menos 145 países têm algum tipo de programa social de ajuda aos mais pobres, como por exemplo, Etiópia, Gana, Lesoto, Bangladesh e Zâmbia.

O relatório cita especificamente o programa brasileiro "Bolsa Família" para mostrar como a proteção social representa um investimento em vez de custo. O sistema alcança 25% da população do país e custa apenas 0,5% do Produto Interno Bruto.

A FAO deixa claro que essas proteções sociais sozinhas não vão erradicar a fome e a pobreza rural. Os especialistas afirmam que são necessárias combinação e coordenação entre investimentos públicos e privados no setor agrícola e para o desenvolvimento rural.

Dessa forma, será possível garantir um crescimento econômico inclusivo e uma forma sustentável de romper o ciclo de pobreza nas regiões rurais.

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Enviado da FAO destaca progressos para o fim da fome em países lusófonos

Entrevista: José Graziano da Silva

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