Crise na República Centro-Africana leva a novo fluxo migratório

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Agências da ONU tentam atender necessidades humanitárias; número de refugiados centro-africanos na República Democrática do Congo está de 100 mil pessoas.

Guerrilheiros Anti-Balaka na Republica Centro-Africana. Till Muellenmeister/IRIN

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A escalada da violência na República Centro-Africana provocou a fuga de mais de 2 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças, para a vizinha República Democrática do Congo numa semana.

Os recém-chegados são registados pelas autoridades congolesas na cidade de Zongo. A maioria deve seguir para o campo de refugiados de Mole, um local próximo.

Combates

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, a situação altamente volátil no país e, particularmente a violência na capital centro-africana Bangui, pode resultar num aumento ainda maior de deslocados para a RD Congo nos próximos dias.

Os desalojados afirmaram ter fugido para escapar dos combates entre rebeldes Séléka e milícias anti-Balaka. Alguns dos recém-chegados afirmaram que as suas casas foram queimadas. O número global de refugiados centro-africanos na RD Congo está bem acima das 100 mil pessoas.

Desde o fim de setembro, novas tensões escalaram em Bangui, onde houve relatos de tiroteios generalizados.

Falta de Recursos

O Acnur e o Programa Mundial de Alimentação, PMA, expressaram preocupação com a falta de fundos para apoiar os refugiados.

Já o coordenador humanitário na República Centro-Africana, Aurélien Agbénonci,  reiterou que as organizações humanitárias estão comprometidas a ficar e entregar assistência à população vulnerável no país.

Ele afirmou que "apesar das restrições de segurança, atores humanitários continuam a fornecer assistência à população afetada". O representante também reafirmou o compromisso de manter a presença no país e fornecer a ajuda necessária à população em áreas onde o acesso humanitário é possível".

Saques

Os escritórios de ONGs nacionais e internacionais, assim como de organizações internacionais, foram saqueados durante o surto de violência que começou em 26 de setembro em Bangui.

Ainda segundo o Ocha, os combates deixaram 42 mortos, 414 feridos e mais de 37 mil pessoas fugiram de áreas de confrontos para buscar refúgio em famílias anfitriãs e em 32 locais de deslocamento na cidade.

Cerca de 200 trabalhadores humanitários tiveram de ser temporariamente transferidos para fora do país. Outros cerca de 100 funcionários não-essenciais foram movimentados para a República Democrática do Congo.

A situação de segurança se deteriorou, impedindo a liberdade de movimento de trabalhadores humanitários desde o início da crise.

Resposta de Emergência

Segundo Agbénonci, é "preciso continuar com a resposta de emergência"  e o "acesso à população deslocada é crucial".

O representante declarou que "as necessidades das pessoas deslocadas estão aumentando a cada dia e o principal objetivo é fornecer assistência aos que precisam, independente de sua filiação política, raça ou etnia, em conformidade com os princípios humanitários de imparcialidade, independência e neutralidade".

Após a recente violência, há mais de 417 mil deslocados no país e cerca de 2,7 milhões de pessoas, mais de metade da população, precisam urgentemente de assistência.

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