Ban: "não permitam que extremistas usem a religião para alimentar o conflito"

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Secretário-geral das Nações Unidas viajou para a região após enviar mensagem para palestinos e israelenses; chefe da ONU afirmou que a violência vai apenas "minar as legítimas aspirações palestinas por um Estado e os anseios israelenses por segurança".

Israelita ferido depois de um ataque num bairro ultra-ortodoxo em Jerusalem. Foto: Oren Ziv/IRIN

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

O secretário-geral das Nações Unidas viajou esta terça-feira para Israel e Palestina com o objetivo de "ajudar a aliviar as atuais tensões", e já chegou a Tel Aviv, em Israel.

Ban Ki-moon irá se reunir com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente palestino Mahmoud Abbas, assim como outras autoridades.

Mensagem Clara

Na segunda-feira, o secretário-geral gravou uma mensagem dirigida "às populações de Israel e Palestina sobre a escalada perigosa da violência nos territórios palestinos ocupados e em Israel".

No vídeo, Ban disse a todos que "não permitam que extremistas em ambos os lados usem a religião para alimentar ainda mais o conflito".

O chefe da ONU afirmou estar consternado, "como todos devem estar", ao ver jovens e crianças pegando armas e procurando matar.

Ele declarou que "a violência só vai minar as aspirações palestinas legítimas por um Estado e os anseios israelenses por segurança".

Palestinos

Aos jovens palestinos, Ban disse "entender sua frustração" e afirmou que muitos estão "decepcionados com seus líderes e com a comunidade internacional por conta de sua inabilidade de acabar com este conflito".

O chefe da ONU disse ainda que sabe que "as esperanças de paz" dos jovens palestinos "foram frustradas inúmeras vezes" e que eles estão "zangados por conta da contínua ocupação e expansão dos assentamentos".

Aos líderes palestinos, Ban disse: "usem a energia de sua população de forma pacífica para tornar seus sonhos e aspirações uma realidade".

Voz para Mudança

O secretário-geral fez um apelo aos jovens da Palestina, como o futuro de seu povo e sociedade, que transformem sua frustração em uma forte, mas pacífica, voz para mudança.

Ban pediu para que eles exijam que seus líderes ajam de forma responsável para proteger seu futuro e que exijam da comunidade internacional e de líderes palestinos e israelenses avanços para uma solução política.

Ele disse aos jovens que eles têm o direito a uma vida decente com dignidade, respeito e liberdade. No entanto, o chefe da ONU afirmou que isso só pode ser alcançado com o estabelecimento de um Estado palestino vivendo em paz ao lado de Israel e não através de atos violentos como os que tem sido vistos.

Israel

Ban disse "também entender a raiva que muitos israelenses sentem". Ele afirmou que "quando as crianças têm medo de ir à escola, quando qualquer um na rua é uma vítima em potencial, a segurança é justamente sua prioridade imediata".

No entanto, o chefe da ONU declarou que "muros, postos de controle e respostas duras de forças de segurança e demolições de casas não podem sustentar a paz e segurança" que os israelenses "precisam e devem ter".

Ele afirmou que tanto a população israelense quanto a palestina precisa ver um horizonte político para romper este ciclo de violência e medo.

Ban afirmou que as Nações Unidas continuam a apoiar todas as ações para criar condições para um retorno a negociações significativas.

Líderes

Aos líderes palestinos e israelenses, o secretário-geral disse que fiquem firmes contra o terror, a violência e o incitamento.

Ban pediu que eles "demonstrem tanto palavras quanto atos que o status quo dos locais sagrados em Jerusalém será preservado" e que reafirmem o compromisso de acabar com a ocupação e buscar uma solução de dois Estados fazendo mudanças no terreno.

O chefe da ONU declarou: "a não-violência requer mais coragem e força do que a violência". E neste momento que chamou de "difícil", Ban pediu que se diga "basta".

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