Apesar do conflito, refugiados continuam a chegar ao Iémen

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Quase 70 mil pessoas já chegaram ao país este ano; a maioria é da Etiópia e da Somália; país abriga atualmente mais de 260 mil refugiados; conflito na nação árabe provocou mais de 2,6 mil mortos.

Refugiados no centro de acolhimento de Mayfa’a. Foto: Acnur/J.Björgvinsson

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Apesar do conflito em curso e do agravamento da crise humanitária, quase 70 mil refugiados, candidatos a asilo e migrantes chegaram ao Iémen este ano.

Trata-se de cidadãos principalmente originários da Etiópia e da Somália. Mais da metade destas chegadas ocorreu desde a eclosão do conflito iemenita, em março.

Assistência

Para os que chegam pela costa do Mar Arábico, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, e seus parceiros fornecem abrigo, comida e cuidados médicos do centro de acolhimento de Mayfa'a.

As instalações de receção para os que chegam pelo Mar Vermelho foram suspensas após um ataque ter destruído uma aldeia que recebia recém-chegados em Bab el Mandab.

Como resultado do incidente morreram um médico assistente do Crescente Vermelho do Iémen e um refugiado somali que trabalhava como intérprete. Na semana passada, as instalações restantes foram saqueadas.

Viagem Perigosa

O Acnur destaca que a viagem ao Iémen é perigosa. Desde o início do ano, foram relatadas 88 mortes no mar entre o país árabe e o Corno de África.

Segundo a agência, a maioria dos movimentos ao Iémen passou para costa do Mar Arábico, onde as pessoas acreditam que a situação seja mais calma.

Mais de 10 mil novas chegadas foram registadas em setembro, e mais de 10 mil até o momento em outubro.

O Acnur e parceiros têm fornecido abrigo e serviços médicos. Embora alguns sejam "refugiados somalis que haviam fugido do Iémen anteriormente, a maioria é de migrantes etíopes para quem o país é uma paragem de trânsito numa jornada em busca de melhores oportunidades".

Deslocados Internos

O número de pessoas deslocadas dentro do Iémen continua a subir. Em 15 de outubro, um mecanismo de rastreamento do Acnur e da Organização Internacional para Migrações, OIM, publicou novos dados que mostram que a população de deslocados internos chegou a um recorde de mais de 2,3 milhões.

Os dados representam um aumento de cerca de 545 mil em meados de maio. Atualmente, aproximadamente um em cada 10 iemenitas buscou refúgio noutros locais no país, como resultado de um conflito contínuo, da falta de serviços básicos ou de oportunidades mínimas de subsistência.

Acesso

Ao lado de outros atores humanitários, o Acnur continua a apoiar a população iemenita apesar de "enormes desafios".

O acesso às populações afetadas, no entanto, permanece uma importante preocupação. Muitas pessoas com grandes necessidades permanecem em áreas isoladas devido ao conflito.

O Acnur está a monitorizar as condições dos deslocados com necessidades específicas como mulheres, crianças, idosos e aqueles com questões médicas.

Civis

A agência pede a todos os envolvidos no conflito que protejam as vidas e os direitos dos civis, incluindo refugiados e deslocados internos.

O Iémen abriga atualmente 264.615 refugiados, dos quais mais de 250 mil são somalis. Mais de 121 mil pessoas fugiram do país para nações vizinhas desde março.

Segundo estimativas do Escritório da ONU para Direitos Humanos, entre 26 de março e 26 de outubro, o conflito no Iémen causou a morte de cerca de 2.615 civis e deixou 5.193 feridos.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
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