Abbas diz que paz só será alcançada com a independência da Palestina

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Presidente discursou no Conselho de Direitos Humanos da ONU e voltou a pedir o fim dos assentamentos, das demolições de casas e dos assassinatos extrajudiciais; ele diz que raiva dos palestinos é "resultado inevitável".

Mahmoud Abbas e Zeid Al Hussein em Genebra. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU ouviu nesta quarta-feira o presidente da Palestina, que afirmou que a situação nos territórios ocupados é a pior desde 1948.

Mahmoud Abbas pediu intervenção urgente das Nações Unidas e do Conselho de Segurança, além da criação de um "regime de proteção internacional para o povo palestino".

Fim da Ocupação

Segundo ele, "paz, segurança e estabilidade não serão alcançadas se não houver o fim da ocupação israelense ou a independência da Palestina, tendo Jerusalém Oriental como capital".

Abbas afirmou que a "raiva" do povo palestino e a "recente série de eventos" na região são resultados inevitáveis de "violações e crimes previamente reportados pela Palestina e da falha da comunidade internacional em lidar com essa injustiça".

No Conselho de Direitos Humanos, o presidente alegou que as "violações contra locais sagrados em Jerusalém, cometidas por colonos e extremistas protegidos pelas forças de ocupação israelenses, podem transformar o conflito político num conflito religioso".

 

Catástrofe

Mahmoud Abbas convidou os relatores de direitos humanos da ONU a visitarem a Palestina para ver de perto a situação. Segundo ele, os palestinos "não querem violência, mas a contínua ocupação dos territórios apenas amplia a violência, o caos, o extremismo" e as mortes.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos também participou da sessão especial do Conselho. Segundo Zeid Al Hussein, "a violência entre palestinos e israelenses pode se tornar uma catástrofe caso não seja interrompida imediatamente".

Segundo Zeid, a última onda de violência resultou na morte de 58 palestinos e deixou 2,1 mil feridos. Do lado de Israel, foram 11 mortes e 127 feridos. Há casos de pessoas esfaqueadas, espancadas até a morte ou que levaram tiros.

Medo

O alto comissário está preocupado com o uso excessivo da força e lembrou que a violência não pode ser a resposta. Zeid disse que a crise é "perigosa ao extremo", por ser um confronto causado pelo medo entre dois povos.

O representante alertou que se a crise continuar, não haverá aceitação mútua nem paz, apenas ódio e mortes misturados ao medo. Citando uma expressão do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, Zeid disse que o "medo é um mau conselheiro".

Zeid explicou que os "tiroteiros, esfaqueamentos, ataques e espancamentos" são alimentados pelo incitamento dos dois lados e as tensões entre isralenses e palestinos estão em alta.

Religião

Ele acredita na possibilidade da violência aumentar, causando um cronfronto ainda mais "terrível". A preocupação de Zeid é com parte religiosa, especialmente devido à sensibilidade da questão do status quo dos territórios ocupados em Jerusalém Oriental, em especial o complexo Al Aqsa.

O alto comissário fez um apelo aos palestinos e aos israelenses pelo fim de todo tipo de violência e pelo fim da impunidade das violações de direitos humanos. Zeid pediu o fim do uso excessivo da força por parte dos militares e policiais de Israel, o fim das demolições de casas e do bloqueio de Gaza.

Para o representante da ONU, uma paz duradoura deve ser alcançada, com o fim da ocupação dos territórios, porque segundo Zeid al Hussein, o "povo palestino merece viver livre, com dignidade, no seu próprio Estado da Palestina".

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