Pinheiro destaca falha coletiva dos países em não acabar com guerra síria

Ouvir /

No Conselho de Direitos Humanos da ONU, presidente da Comissão de Inquérito afirma que país "desmoronou diante dos nossos olhos"; Paulo Sérgio Pinheiro condena nações que enviam dinheiro e armas para financiar combates.

Paulo Sérgio Pinheiro. Foto: ONU/Pontus Wallstenn

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU promoveu, esta segunda-feira em Genebra, um diálogo interativo com a Comissão de Inquérito sobre a Síria. O presidente da comissão, Paulo Sérgio Pinheiro, declarou que o país "desmoronou diante dos nossos olhos".

Para o brasileiro, "uma nação entrou em colapso no campo de batalha mais caótico e letal do mundo". O presidente da comissão falou sobre a destruição da sociedade síria e da história do país, já que muitos locais considerados patrimônio histórico viraram ruínas.

Fuga

A Comissão de Inquérito acaba de retornar de países vizinhos à Síria, onde os especialistas em direitos humanos puderam conversar com sírios vítimas do conflito.

Os civis explicaram que o país está "irreconhecível" e a única solução foi deixar a Síria. Paulo Sérgio Pinheiro lembrou que a tragédia já alcançou a costa da Europa.

Terrorismo 

Segundo o presidente da Comissão, "o êxodo sírio ocorre porque os civis são as principais vítimas dos ataques desproporcionais e indiscriminados liderados pelos lados em conflito": governo  e grupos armados da oposição.

Paulo Sérgio Pinheiro também falou sobre a presença do "grupo terrorista Isis" (conhecido também como Isil ou Daesh). Segundo ele, milhares de mulheres e meninas foram raptadas e são mantidas como "propriedade" do grupo. As vítimas são estupradas e apanham.

Negociação

A Comissão de Inquérito conseguiu conversar com algumas das vítimas e segundo Pinheiro, "o horror sofrido por elas é inimaginável".

Aos países que fazem parte do Conselho de Direitos Humanos, o presidente da comissão lembrou da responsabilidade em colocar os lados em conflito na mesa de negociações.

Pinheiro declarou que "a falha dos países é uma mancha na consciência coletiva" e para ele, pior ainda é financiar o conflito enviando dinheiro, armas e treinando beligerantes" no país.

Futuro

O presidente da comissão lembrou que as nações que enviam armas têm uma obrigação moral e legal, porque a "responsabilidade dos crimes está com as pessoas que seguram as armas e aquelas que colocam as armas em suas mãos".

Ele pediu um fim ao fluxo de armas para a Síria, afirmou que uma vitória militar no país é "uma ilusão" e se a guerra continuar, os países estarão financiando um conflito num "país praticamente inexistente".

Paulo Sérgio Pinheiro disse que há quatro anos vem enfatizando que a única solução para o conflito é política e por isso, é hora de superar falhas diplomáticas.

No Conselho de Direitos Humanos da ONU, um  representante da Síria também fez declarações e disse "ser inaceitável negar ao país o direito de combater o terrorismo e de proteger seus cidadãos".

Leia Mais:

Chefe de direitos humanos da ONU está “exausto e furioso”

Acnur alerta que piora da situação na Síria aumenta desespero da população

 

ONU encoraja preservação do património cultural sírio e iraquiano

Compartilhe

JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
JORNAL DA ONU - 5 MIN, 11 DE DEZEMBRO DE 2017
Loading the player ...

SIGA A RÁDIO ONU NAS REDES SOCIAIS

 

dezembro 2017
S T Q Q S S D
« nov    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031