Para FAO, vontade política é chave para eliminar a fome do mundo

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Diretor-geral da agência da ONU lembra que sobra comida, mas o desperdício é grande; José Graziano da Silva garante que países têm meios e condições materiais para alimentar a população; erradicar a fome até 2030 é um dos novos objetivos globais.

Diretor da FAO, José Graziano da Silva. Foto: Rádio ONU/Edgard Júnior

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

Entre os 17 Objetivos Globais para o Desenvolvimento Sustentável, ODS, está um ambicioso: eliminar a fome do mundo até 2030. O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, garante ser possível.

José Graziano da Silva está em Nova York, participando de vários eventos de alto nível ligados à adoção da Agenda 2030. Nesta terça-feira, ele concedeu entrevista à Rádio ONU, onde destacou mais uma vez o papel dos consumidores e produtores nesse processo.

Governantes

Segundo Graziano, cerca de um terço dos alimentos são perdidos ou desperdiçados. Mas o diretor da FAO enfatiza o papel-chave dos governos para que todas as pessoas do mundo tenham acesso à comida. 

"Ao contrário do que muita gente pensa, não falta comida, sobra comida hoje. Mas mais importante do que a disponibilidade de alimentos, está o problema do acesso. As pessoas têm fome hoje porque não conseguem ter acesso aos alimentos, seja por um problema de distribuição ou seja por um problema de renda. Agora, isso é fácil de resolver. Fácil no sentido de que uma vez que haja uma determinação política, está ao alcance dos governos fazer isso. Eu tenho insistido muito que o que falta mesmo é a vontade política de erradicar a fome."

Confrontos

Sobre países que estão em conflito, como Iêmen, Síria e República Centro-Africana, Graziano da Silva explica ser um grande desafio, já que a fome também está associada a conflitos ou desastres naturais.

Mas novamente, o chefe da FAO destaca que o jeito de resolver é "pela vontade dos homens, com a paz e um Conselho de Segurança que precisa ser mais atuante".

Na entrevista, Graziano da Silva também mencionou avanços feitos pelo Brasil.

Ousadia 

"Olha, o Brasil é um exemplo não só na fome, mas o país cumpriu praticamente todos os Objetivos do Milênio. Isso credencia o Brasil a dar um próximo passo, como mostrou aqui a proposta que a presidenta fez de reduzir em 43% as emissões de gás estufa, de chegar ao desmatamento ilegal zero. O Brasil tem sido ousado. E eu acho que esse é o ingrediente importante que os objetivos trazem: a ousadia."

Para Graziano da Silva, objetivos ousados são essenciais para criar a vontade política e ter o apoio da sociedade. O diretor-geral da FAO acredita também ser possível criar um fundo internacional para financiar a Agenda 2030.

Acompanhe a cobertura completa da adoção dos novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

 

 

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