ONU debate estratégia para combater racismo

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Painel formado por representantes do Brasil e de vários países falaram sobre suas histórias; do lado brasileiro estavam presentes Celso Athayde, fundador da Central Única das Favelas e Raul Santiago do Coletivo Papo Reto, do Complexo do Alemão.

Celso Athayde em debate na ONU sobre racismo. Imagem TV-ONU

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

Um painel especial da ONU debateu, esta quarta-feira, "a auto-representação como estratégia de combate ao racismo".

A sessão realizada no Conselho Econômico e Social, foi organizada pela Missão do Brasil junto às Nações Unidas. O evento marca a Década Internacional para as Pessoas de Descendência Africana: Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento.

Feliz

O painel incluiu representantes do Brasil e de vários países que contaram suas histórias. Do lado brasileiro estavam presentes Celso Athayde, fundador da Central Única das Favelas, Cufa, e Raull Santiago do Coletivo Papo Reto, do Complexo do Alemão.

Athayde contou que morou na rua entre os 6 e os 14 anos. Depois foi para um abrigo público e em seguida, disse que foi ser feliz numa favela. Ele falou sobre a situação social atualmente no Brasil.

"O quadro social que a gente vive hoje no país é fruto de um processo de racismo. Então vamos levar algum tempo ainda para poder não reverter essa quadro mas para equiparar as relações entre as pessoas. Eu nunca quis pregar ódio ao não-negro, acho que um branco e um negro tem que ser amigos, tem que ser sócios, podem ter relações afetivas. O que a gente não pode permitir é que alguém tenha mais direito que alguém, ou que alguém tenha direito de ser mais feliz que o outro por conta de sua cor".

Futuro

Athayde encerrou o discurso falando sobre o futuro.

"Ou o mundo divide com os negros e com as favelas toda a riqueza que essas pessoas geram ou elas vão ser obrigadas a continuar dividindo as consequências da miséria que a elite mundial continua gerando e vem gerando todos esses anos."

Raull Santiago, é representante do Coletivo Papo Reto, grupo de comunicação independente composto por jovens moradores dos Complexos do Alemão e da Penha.

Santiago falou sobre a origem dos negros.

Reis e Rainhas

"Quando eu era joven, ainda no colégio eu sempre ouvia dizer que os negros eram descendentes de escravos. Quando eu comecei a me envolver com o movimento, com as lutas, eu aprendi que não era isso. Os negros não eram descendentes de escravos, eles são descendentes de reis, rainhas, príncipes e princesas. Eles chegaram no nosso país escravizados."

Raull Santiago disse que a "violência acontece no mundo inteiro, infelizmente, inclusive no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro", onde mora.

Ele quer que "se assuma que existe racismo ainda hoje e que a partir disso todos passem a encarar essa nova realidade de frente". A partir daí, Santiago afirmou que será possível pensar em transformações.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 8 DE DEZEMBRO DE 2017
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