Afeganistão: ONU alerta para insegurança alimentar

Ouvir /

Segundo relatório divulgado pelas Nações Unidas e agências parceiras nesta quinta-feira, número de pessoas no Afeganistão recorrendo à venda de terra ou pedindo ajuda por causa da insegurança alimentar dobrou no ano passado.

Um agricultor afegão e seu filho trazendo trigo da colheita. Foto: FAO/Giuilio Napolitano

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

Um relatório divulgado pelas Nações Unidas e agências parceiras nesta quinta-feira fez um alerta: o número de pessoas no Afeganistão recorrendo à venda de terra ou pedindo ajuda a amigos ou família por causa da insegurança alimentar dobrou no ano passado.

A avaliação sazonal sobre Segurança Alimentar 2015 mostra que no pico da temporada de escassez, o número de afegãos enfrentando situação de insegurança alimentar grave aumentou de 4,7% da população há 12 meses para 5,9% atualmente.

Milhares a Mais

Isto significa que mais de 1,5 milhão de pessoas são consideradas agora em situação de insegurança alimentar grave, um aumento de mais de 317 mil.

Outras 7,3 milhões, mais do que um em cada quatro afegãos, estão classificadas como em situação de insegurança alimentar moderada.

Último Recurso

Para a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, a maior preocupação é com a proporção de pessoas em situação de insegurança alimentar grave que já esgotaram sua capacidade de lidar com emergências.

Isto significa que mais afegãos são forçados a vender terras, tirar crianças da escola ou depender de parentes.

O relatório mostra que o número de pessoas envolvidas nessas ações de "último recurso" dobrou no último ano para mais de 20% entre os que estão em situação de insegurança alimentar.

Isto vai deixar ainda mais afegãos vulneráveis à extrema pobreza. O diretor do Programa Mundial de Alimentos, PMA, no Afeganistão, Claude Jibidar, afirmou que "quando as pessoas recorrem a estas medidas, elas não têm resiliência contra futuros choques".

Ele disse ainda que estes números são "extremamente alarmantes, especialmente em um país onde mais de um terço das pessoas já está em situação de insegurança alimentar".

Acesso

O representante da FAO no Afeganistão, Tomio Shichiri, afirmou que embora o país vá produzir um pouco mais de trigo este ano, um grande número de pessoas pobres e com fome não poderá comprar alimentos no mercado.

Ele mencionou que é uma "questão mais de acesso do que de produção". O especialista disse ainda que "atenção especial deve ser dada a famílias chefiadas por mulheres e a deslocados".

Mulheres

O relatório mostra que casas chefiadas por mulheres têm quase 50% mais chance de enfrentar situações de insegurança alimentar grave, com uma dieta muito mais pobre e uma renda muito mais baixa.

Mulheres que lideram suas residências também têm duas vezes mais chances de usar estratégias de emergência, como, por exemplo, pedir esmolas.

Financiamento

Além disso, pessoas deslocadas de suas casas por conflitos e desastres, particularmente as que estão vivendo em tendas, também sofrem com alimentação inadequada.

O ministro da Agricultura, Irrigação e Pecuária do Afeganistão, Assadullah Zamir, pediu "à comunidade de doadores que continue ajudando os afegãos mais vulneráveis antes que seja tarde demais".

Leia Mais:

Recorde de mortes de civis reduz capacidade de ajuda no Afeganistão

 

Compartilhe

JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
JORNAL DA ONU - 5 MIN, 12 DE DEZEMBRO DE 2017
Loading the player ...

SIGA A RÁDIO ONU NAS REDES SOCIAIS

 

dezembro 2017
S T Q Q S S D
« nov    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031