Chefe de direitos humanos da ONU está "exausto e furioso"

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Zeid Al Hussein abriu a 30ª sessão do Conselho de Direitos Humanos relembrando o menino sírio Aylan Al Kurdi, cuja morte chocou o mundo; alto comissário destacou falhas em resolver violações; ele mencionou disputas por terras indígenas no Brasil.

Alto comissário para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein. Foto: ONU/Violaine Martin

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Foi aberta nesta segunda-feira, em Genebra, na Suíça, a 30ª sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. O alto comissário Zeid Al Hussein iniciou seu discurso relembrando o menino sírio Aylan Al Kurdi, que morreu afogado enquanto tentava chegar à Europa e cuja morte chocou o mundo.

Para o chefe de Direitos Humanos da ONU, o "horror" enfrentado pelo menino e por tantos outros refugiados, "destrói as esperanças em ter algum alívio e misericórdia".

Fúria

Zeid Al Hussein declarou que "depois de um ano como alto comissário da ONU para os Direitos Humanos", ele se sente "exausto e furioso". Exausto "porque a miséria humana aumenta", desde a "pobreza, a negação dos direitos civis e políticos, até o "ódio, a intolerância e o racismo".

O alto comissário explicou ainda que está furioso por ter a sensação de que "pouco do que é dito vai de fato mudar a situação". Zeid citou um "exemplo altamente vergonhoso, a Síria", porque apesar de várias violações de direitos humanos que ocorreram no país, é preciso, segundo ele, "continuar deplorando a falha da comunidade internacional em tomar uma atitude".

Altruísmo

Ele defendeu uma "mudança drástica na maneira de pensar e agir dos Estados Membros, de ONGs e da comunidade de direitos humanos". O alto comissário exaltou o "altruísmo" de funcionários da ONU que trabalham em locais perigosos, a "coragem de defensores de direitos humanos", e a "solidão e a dor" de refugiados, migrantes e milhões que passam fome ou sofrem discriminação ou tortura.

Zeid Al Hussein elogiou a "liderança e a humanidade" demonstrada por Jordânia, Líbano, Turquia, Alemanha e Suécia, por hospedarem migrantes e refugiados que precisam de proteção.

Brasil

Outro ponto ressaltado por ele foi a proposta da Comissão Europeia de realocar 120 mil refugiados em vários países europeus. O alto comissário fez um apelo às nações que fazem parte do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Ele quer que elas transformem seus discursos em ação de fato, em todas as frentes.

Durante seu discurso na abertura da sessão, Zeid Al Hussein citou exemplos recentes de violações de direitos humanos em mais de 30 países, inclusive o Brasil.

O alto comissário citou "disputas de terras indígenas, que continuam causando sofrimentos e perdas no Brasil". Zeid mencionou o assassinato de um líder da comunidade Guarani-Kaiowá, ocorrido em agosto no Mato Grosso.

Oriente Médio e Américas

O representante da ONU fez um apelo às autoridades brasileiras, para que investiguem essa morte e tomem atitude para suspender novos despejos e para demarcarem todos os territórios de forma apropriada.

Zeid Al Hussein também mencionou o desaparecimento de 43 estudantes no México, que completa um ano; a detenção de 100 advogados na China; casos de impunidade no Sudão e no Sudão do Sul; a deportação de colombianos que viviam na Venezuela e a discriminação de afro-americanos nos Estados Unidos.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos falou ainda sobre a situação no Iraque, no Iêmen, na Síria e nos Territórios Ocupados Palestinos. Aos Estados Membros, Zeid pediu que apoiem o orçamento proposto para o seu escritório, de quase US$ 200 milhões para 2016-2017.
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