73% das mulheres que estão conectadas já sofreram violência online

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Comissão de Banda Larga da ONU lança relatório sobre ataques contra mulheres e meninas que ocorrem na internet; grupo pede aos países e à indústria mais investimentos para proteger cidadãs.

Muitos casos sequer são investigados. Foto: Banco Mundial/Arne Hoel

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

A Comissão de Banda Larga da ONU divulgou esta quinta-feira os resultados de um levantamento sobre violência cibernética. Em todo o mundo, 73% das mulheres que estão conectadas já foram expostas a algum tipo de violência online.

As jovens entre 18 e 24 anos são as maiores vítimas de perseguições nas redes e de assédio sexual e muitas sofrem ameaças físicas. Nos países da União Europeia, 9 milhões de mulheres já passaram por alguma forma de violência online, algumas aos 15 anos de idade.

Sem Punição

Mas entre 86 países investigados, apenas 26% estão tomando medidas judiciais apropriadas para reverter o quadro. Uma entre cinco usuárias da internet mora em países onde casos de assédio e abuso na internet não recebem punição.

Combater a violência contra as mulheres na internet é uma preocupação da ONU Mulheres, agência que participou da apresentação do relatório.

Maneiras

A representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, explicou que os abusos online podem ocorrer de várias maneiras.

"Essa violência na internet pode ser a humilhação, a ofensa, a ameaça online, a publicação de mensagens e imagens íntimas, a invasão da privacidade, o preconceito, a intolerância na rede. Isso nos preocupa muito, porque a internet é parte de nossa realidade dia a dia. E mesmo que seja virtual, que não pareça ser real, é parte de nossa realidade."

Segundo Nadine Gasman, da ONU Mulheres, outro efeito é o "intenso sofrimento emocional das vítimas" que têm sua vida íntima compartilhada nas redes.

Exploração Sexual

Durante o lançamento do relatório, a administradora do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, mencionou "evidências de que o volume e conteúdo de material na internet que promove o tráfico humano com o propósito da exploração sexual é sem precedentes".

Helen Clark destacou que a dimensão do desafio é clara: "70% das pessoas traficadas no mundo são mulheres ou meninas e 97% das traficadas são exploradas sexualmente".

Investimentos

A internet já é considerada por especialistas como o principal meio de disseminação de material de pornografia infantil.

O relatório do grupo de trabalho da ONU alerta para a necessidade de mais investimentos para prevenir a violência cibernética. Esse dinheiro deve ser usado para sensibilizar o público, implementar técnicas de segurança e deter criminosos por meio de medidas legais e regulatórias.

O documento também pede atenção dos países e da indústria a esses riscos e para que pensem em novas soluções, como o uso de aplicativos móveis para monitorar e relatar a violência contra mulheres e meninas.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 13 DE DEZEMBRO DE 2017
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