Relator alerta sobre iminência de grande crise alimentar no Iémen

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Especialista avisa que 1,2 milhão de crianças devem sofrer de desnutrição aguda nas próximas semanas; presidente da Cruz Vermelha disse ter ficado consternado pelo sofrimento que viveu ao visitar o país.

Abdallah e filho de seis anos em sua casa em Sanaa. Foto: Ocha/Charlotte Cans
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Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O relator especial das Nações Unidas sobre o direito à alimentação alertou esta terça-feira para a iminência de uma “grande crise alimentar” no Iémen.

Em nota, Hilal Elver disse que à medida que o conflito aumenta, mais de 12,9 milhões de pessoas sobrevivem sem acesso adequado a alimentos básicos. Cerca de 6 milhões enfrentam insegurança alimentar grave.

Crianças

A grande preocupação do perito é com o que considera uma “situação humanitária calamitosa”. Se o conflito continuar no nível atual, “1,2 milhão de crianças devem sofrer de desnutrição aguda nas próximas semanas”. O problema já afeta 850 mil menores.

O cerco a províncias como Áden, Al Dhali, Lahj e Taiz impede que alimentos básicos como trigo cheguem à população civil. O relator cita ataques aéreos que “alegadamente atingiram mercados locais e camiões carregados de alimentos”.

O especialista pediu uma nova pausa humanitária, na nota que também adverte que a fome deliberada de civis tanto em conflitos armados internos como internacionais pode constituir um crime de guerra.

Crime contra a Humanidade

Elver destacou que medida pode também ser considerada um crime contra a humanidade, “se houver recusa deliberada e privação de fontes de alimentos”.

Entretanto, o presidente da Cruz Vermelha terminou a sua visita ao Iémen, onde revelou ter ficado consternado pelo sofrimento que testemunhou. Em três dias, Peter Maurer esteve nas cidades iemenitas de Sanaa e Áden.

Para ele, a situação não é “nada menos que catastrófica”. Maurer disse que cada família foi afetada pelo conflito e que “as imensas dificuldades pioram a cada dia”.

O representante sublinhou que o mundo precisa despertar para o que acontece no Iémen. Os efeitos agravados dos combates intensos e das restrições de importação “têm impacto dramático na saúde”.

Assistência

Ele descreveu instituições de saúde atacadas de forma massiva e que sofrem danos colaterais. Com a falta de medicamentos, a “assistência ao paciente está em queda”.

Sem combustível, os equipamentos não funcionam e nem podem ser feitas campanhas de vacinação com a insegurança. Ele disse que os combates transformam a ida ao hospital num risco perigoso, no que considera “espiral descendente que coloca milhares de vidas em risco”.

A Cruz Vermelha estima que, desde março, cerca de 4 mil pessoas morreram e mais de 19 mil ficaram feridas no conflito iemenita. Pelo menos 1,3 milhões de iemenitas foram obrigados a fugir das suas casas.

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