Morre o general brasileiro que comandava as tropas da ONU no Haiti

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José Luiz Jaborandy Júnior teve um mal súbito enquanto seguia para o Brasil; coronel da Minustah relembra o compromisso do general com a paz na ilha caribenha.

General Jaborandy Júnior durante cerimônia no Haiti em abril. Foto: Igor Rugwiza /MINUSTAH

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Morreu neste domingo, aos 57 anos, o comandante das Forças de Paz da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti, Minustah. O general José Luiz Jaborandy Júnior comandava as tropas da missão desde março de 2014, após ter sido nomeado pelo secretário-geral Ban Ki-moon.

Segundo informações preliminares, o general Jaborandy Júnior estava num voo a caminho do Brasil, quando teve um mal súbito. Quem confirmou a informação à Rádio ONU foi o chefe do Escritório de Relações Públicas Militar da Minustah.

Surpresa

De Porto Príncipe, o coronel Pedro Gagliardi explicou que o general estava indo visitar a família.

“A notícia nos pegou muito de surpresa. Eu almocei com ele no sábado. Ele estava feliz porque iria conhecer o neto. Ele ia conhecer o netinho que havia nascido há um mês. Ele estava se dirigindo ao Brasil e ele me falou também que ia visitar o pai, que faria aniversário. O avião estava saindo de Miami para Manaus e ele teve um mal súbito. O avião retornou, mas ele não conseguiu resistir."

O general Jaborandy Júnior entrou para o Exército Brasileiro em 1976 e ocupou várias posições de comando durante a carreira. Sua ligação com a ONU começou em 1991, quando serviu como observador militar do Grupo de Observadores das Nações Unidas na América Central, Onuca.

Carreira

No ano seguinte, em 1992, ele foi observador militar da Missão da ONU em El Salvador. No Brasil, o general Jaborandy Júnior comandou a 2ª Brigada de Infantaria de Selva entre 2010 e 2011, atuando como chefe da equipe do Comando Militar da Amazônia.

Antes de assumir o cargo no Haiti, ele foi comandante da 8ª Região Militar, no norte do Brasil. Em julho deste ano, José Luiz Jaborandy Júnior concedeu sua última entrevista à Rádio ONU.

Da capital do Haiti, Porto Príncipe, o general falou sobre o legado das tropas de paz e a integração de seus soldados com o povo haitiano.

Comando

"Os soldados da Minustah, ao longo desse período de permanência aqui na ilha, foram capazes de mesclar as coisas operacionais, aquela postura que caracteriza o soldado, às coisas do coração, aquela postura que caracteriza também o ser humano. Então o soldado da Minustah sempre esteve identificado pela população com o ser humano. Como o amigo que aqui veio para ajudá-lo a reencontrar o caminho de luz na direção do futuro."

Os soldados da Minustah receberam a notícia da morte de Jaborandy Júnior com surpresa e com muita tristeza. Mas segundo o coronel Pedro Gagliardi, fica o compromisso das tropas de paz de dar sequência ao trabalho do comandante.

"O general Jaborandy era um líder que comandava a gente com muita facilidade. Ele fechava o olho e tinha 2.370 homens atrás dele. Era uma pessoa muito amada. Antes de general, era um ser humano fantástico. Ele era totalmente comprometido com a Missão. Totalmente. A maneira que a gente tem em honrar a memória dele é dizer para todos que o componente militar continua comprometido com a Missão. Ele falava para a gente: 'Eu sou otimista. Apesar de todas as dificuldades, eu acredito que a gente vai cumprir a nossa missão.'"

Segundo o coronel Pedro Gagliardi, a Minustah está definindo uma cerimônia para homenagear o general. José Luiz Jaborandy Júnior era casado e também deixa filhos e netos.

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Vídeo: General Jaborandy Júnior

Clip: Morte do General Jaborandy Júnior

General fala de contribuição brasileira no combate a gangues no Haiti 

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 13 DE DEZEMBRO DE 2017
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